Ministério da Educação elabora base curricular comum para cada etapa e que deverá ser seguida por todo o País
A criação de um currículo mínimo – e igual – para todos os estudantes brasileiros levanta polêmica entre pesquisadores, pedagogos e gestores há anos e, agora, preocupa o Ministério da Educação. Apesar de o país possuir documentos que orientam a organização das etapas de ensino, o MEC recrutou especialistas para elaborar uma nova base curricular comum.
Futura Press
Base curricular para alunos divide os especialistas
Para o secretário de Educação Básica do MEC, Romeu Caputo, esse é um processo “natural” depois de as Diretrizes Curriculares Nacionais terem sido aprovadas. Nos últimos 15 anos, integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) debateram o assunto e elaboraram as orientações para cada etapa de ensino. Mas a avaliação é de que elas são insuficientes.
“Não teríamos como discutir essa base comum, cuja criação está determinada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sem as diretrizes. Esse é um segundo passo, que vem de uma constatação a partir do diálogo do governo com sociedade e a academia: a de que nós poderíamos e deveríamos detalhar mais as orientações curriculares”, afirma Caputo.
Proposta para ensino médio: Mercadante defende revisão curricular
A constatação do secretário foi repetida por diferentes participantes de congresso educacional promovido na última semana pelo movimento Todos pela Educação em Brasília. Nos debates, que não eram sobre o tema, a organização curricular foi bastante citada. “Hoje, o discurso em educação já é mais coeso em torno do professor, dos currículos, da avaliação”, acredita Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.
Paula Louzano, pedagoga e doutora em Política Educacional pela Universidade de Harvard, resume a argumentação de quem defende o estabelecimento de currículos mínimos mais detalhados. “É uma garantia de direitos. Todos precisam aprender a mesma coisa, mas hoje o menino da periferia aprende menos. Essa diversidade está gerando desigualdade”, critica.
Para a pesquisadora, estabelecer o que todo estudante brasileiro, de qualquer canto do país, tem de aprender não restringe o trabalho da escola. A perda de autonomia do professor e o receio de desvalorização do conhecimento regional são os argumentos de quem critica a definição de uma base curricular nacional.
“Temos de quebrar o paradigma. Esse discurso (de que padrão é desnecessário) é conservador, porque mantém o status quo. E ninguém nega que o professor tem de ter liberdade para ensinar. Mas ele precisa saber o quê”, afirma Paulo, que é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Ela ressalta que as orientações atuais são vagas. Orientação para políticas
Além de orientar o trabalho dos docentes, a base curricular comum ajudará a definir políticas públicas. A análise, feita pelo secretário Romeu Caputo, se baseia nos programas conduzidos pelo MEC de formação de professores, aquisição de livros didáticos, avaliação nacional. Para Paula, é incoerente o país ter criado avaliações antes do currículo. “É uma inversão”, diz.
“A base não será uma camisa de força para os sistemas locais, mas ela deve ser suficientemente detalhada para orientar as políticas nacionais do MEC. O nível de detalhe é o que estamos discutindo nesse grupo de trabalho, que reúne gestores, especialistas, pesquisadores”, conta Caputo. O documento não tem data para ficar pronto.
As diretrizes atuais falam do tipo de educação que o Brasil deseja – para a inovação, valorizando a cidadania, os direitos humanos, contemplando o direito à entrada na universidade e no mundo do trabalho e valorizando a interdisciplinaridade de conhecimentos – mas não especifica, por exemplo, quais conteúdos ajudariam a alcançar esses objetivos.
O secretário acredita que, mais importante do que o documento, será debater essa ideia com os educadores. Os especialistas reconhecem que esse é um tema difícil, porque choca diferentes interesses. “Em minha trajetória como secretário de educação, nunca vi esse debate convergir. É um assunto espinhoso, que sempre teve resistência”, conta Binho Marques.
Marques foi secretário municipal e estadual de educação, governador do Acre e, agora, atua como secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino do MEC. Para ele, a educação brasileira crescerá em qualidade quando os sistemas de ensino – municipais, estaduais e federal – se alinharem em currículos, formação de professores e avaliação. “Nessa ordem.”
“A escola tem de ter autonomia, mas não pode fazer o que quiser. O que o país pensa e quer para os seus filhos precisa ser contemplado em uma base curricular comum”, defende.
Discórdia na nomenclatura
No Ministério da Educação, os debates evitam falar em currículo nacional para não criar mais polêmica. Ainda há muitas discussões entre gestores e especialistas por causa da diversa nomenclatura utilizada por cada um: base nacional comum, padrão, currículo mínimo, orientações curriculares, diretrizes.
“Autonomia sem ancoragem é abandono. Um professor não pode fechar a porta da sala de aula e fazer o que quiser lá dentro, mas também não faremos uma sociedade transformadora sem autonomia da sala de aula, de professor e alunos. Não se deve confundir isso”, opina o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.
O conselheiro do CNE Francisco Córdão, que elaborou muitas das diretrizes acredita que o país não precisa de mais documentos, mas reconhece que o currículo é tema pouco debatido na sala de aula. “As orientações precisam ser colocadas em prática e o currículo escolar é fundamental para ajudar o professor”, diz.
Caputo garante que as novas propostas não mudarão por completo a estrutura dos currículos atuais. Houve muita especulação, por conta de declarações do ministro Aloizio Mercadante, de que uma reforma curricular radical seria realizada. “O que estamos induzindo é o que já acontece no ensino médio inovador, por exemplo, baseados nas diretrizes atuais”, conta.
As experiências de escolas que aderiram ao projeto inovador coordenado pelo MEC são de escolas em tempo integral, que promovem integração de disciplinas, valorizam artes, esportes, preparação para o trabalho. “Não vamos impor currículo, mas promover mudanças e soluções”, afirma Caputo.
Superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária critica a falta de políticas específicas para esses alunos
Divulgação
Anna Helena Altenfelder, Superintendente do
Centro de Estudos e Pesquisas em Educação,
Cultura e Ação Comunitária
Nos últimos anos, as políticas e os programas de governos estaduais, municipais ou o federal se concentram na educação infantil, no ciclo da alfabetização ou no ensino médio. Mas a trajetória escolar que os une – os quatro últimos anos do ensino fundamental, chamados de anos finais ou fundamental II – tem sido constantemente esquecida.
Esse “esquecimento”, lembra a pedagoga Anna Helena Altenfelder, pode custar caro. Todo o investimento feito nas etapas iniciais pode se perder. “Se não encararmos o desafio de repensar o fundamental II, vamos perder esforços”, ela diz, categórica. Para ela, o país age como se a qualidade dos anos iniciais fosse naturalmente chegar aos anos finais.
Segundo ela, que é doutora em psicologia e superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), essa lógica está equivocada. “Os indicadores mostram o contrário, estamos perdendo as conquistas”, pondera.
A pesquisadora, que atua também como formadora de professores, conversou com o iG sobre o tema no Congresso “Educação: agenda de todos, prioridade nacional”, organizado pelo movimento Todos pela Educação.
Confira os principais trechos da entrevista:
iG: Como você avalia os anos finais do ensino fundamental no Brasil? Anna Helena Altenfelder: Essa fase é conhecida como “o ciclo esquecido”. Um dos fatores é que ele está dividido entre as redes municipais e estaduais. Além disso, existem poucas pesquisas focadas no que chamamos de ensino fundamental II. O próprio Plano Nacional de Educação pouco se refere a metas específicas. Essa fase não é considerada nas suas especificidades, nem nas políticas nem nas pesquisas. iG: Por que isso acontece? Anna Helena: Talvez porque, no Brasil, historicamente, houve um esforço em olhar o início da trajetória e depois o ensino médio. Como se a qualidade dos anos finais do fundamental fosse uma decorrência de um bom início. Mas o que a gente observa nos indicadores é justamente o contrário: temos avanços nos anos iniciais e os perdemos nos finais. É difícil dizer por que isso acontece. Essa divisão entre as redes, que ainda não têm um sistema articulado, atrapalha. As redes municipais acabam focando os anos iniciais do fundamental e as estaduais, o ensino médio. O fundamental II não se torna prioridade de nenhuma. Além disso, essa é uma fase muito específica, que traz uma grande mudança na organização da escola. Os alunos deixam de ter um professor, uma referência única, uma rotina, e passam a ter cinco professores ou mais, muitas vezes sem nenhum tipo de orientação. Não é um problema só da rede pública. Essas especificidades não são consideradas. iG: Se o país não encontrar saídas para solucionar essas dificuldades vai perder as melhorias de aprendizagem que conseguiu com essa geração? Anna Helena: Eu não tenho dúvida disso. Se não encararmos o desafio de repensar o fundamental II, vamos perder esforços. Não adianta pensar no ensino médio. Há uma evasão muito grande nessa fase, o índice de distorção idade-série é alto, há muitos meninos atrasados e nós sabemos que o aluno em atraso hoje é o que vai abandonar a escola amanhã, porque ele se desmotiva. Há um número enorme de meninos que não chega ao ensino médio. iG: Quais problemas, além do estranhamento da mudança, marcam essa fase? Anna Helena: É preciso entender a especificidade dessa faixa etária. É uma fase de transição, em que os alunos começam a procurar mais autonomia, querem protagonismo, sentem que não são mais crianças e precisam ser reconhecidos assim. É um desafio para a escola entender como dialogar com esse jovem, que está inserido num mundo com as novas tecnologias, que tem outro ritmo e, certamente, outras formas de aprender. A escola tem de estabelecer um diálogo com a cultura, o interesse e as necessidades deles. É um grande desafio, mas a gente precisa pensar numa revisão curricular, na reorganização dos tempos e espaços da escola, que são marcados por aulas de 50 minutos, em que um professor entra e outro sai da sala, muda o assunto, não tem conversa. Isso não responde mais às necessidades deles. iG: Existem soluções possíveis, de curto prazo, para resolver esses problemas? Anna Helena: A polivalência de professores é uma medida fácil de ser tomada, que eu vejo com bons olhos. Seria o aluno ter o mesmo professor por mais tempo no 6º e no 7º anos e depois ir aumentando a quantidade de docentes. Mas isso demanda assessoria a esse professor, um projeto pedagógico bem feito. Outra coisa seria repensar a organização dos tempos e dos espaços, buscar a interdisciplinaridade por meio de projetos que possam dar um sentido mais comum e articulado. Essa é também uma fase em que os pais se distanciam da escola e a escola não tem o empenho para chamá-los. Pensar uma política para trazer as famílias para perto também é boa. Outra possibilidade é criar maneiras de usar as novas tecnologias como canal de vinculação com o mundo deles, que é de cultura digital. iG: As avaliações e os processos seletivos têm influenciado de maneira negativa os anos finais do fundamental? Anna Helena: Tenho observado empiricamente que a preocupação com o vestibular chega cada vez mais cedo. Acho que, no país, acontece uma inversão: nós pautamos o currículo pela avaliação. É um evento perverso, porque deveria ser o contrário. O exame deveria ser feito a partir do currículo que é comum para todos. Isso acaba atrapalhando oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento de habilidades e competências que seriam importantes, como descobrir novas coisas para atuar melhor no mundo e não para passar num exame. iG: Como temos de lidar com o tema da reprovação, sempre tão controverso, nessa fase? É preciso reprovar nessa etapa? Anna Helena: Há uma discussão que é anterior a reprovar ou não, que não é feita. De nada adianta você reprovar um aluno se você não acompanha o processo de aprendizagem dele e não toma medidas efetivas para que ele aprenda o que não conseguiu. Do mesmo jeito de que de nada adianta aprovar se também não é feito esse monitoramento da aprendizagem. A reprovação não é um instrumento que possibilite aprendizagem, nem nessa fase nem em nenhuma outra. É importante que eles continuem no curso da escola desde que haja planejamento e ações efetivas para ajudá-lo a aprender o que precisa.
Ideia era que estudantes da rede municipal pudessem levar disciplinas para o ano seguinte para não ter de repetir série
Um dos pontos mais polêmicos do plano Mais Educação, série de medidas apresentadas pela Prefeitura de São Paulo para melhorar o ensino nas escolas da rede municipal, deve ser deixado de lado após o programa ficar aberto a consulta pública. A ideia que “converge” para ser descartada é a que possibilitaria o estudante do ensino fundamental de ficar de dependência de algumas disciplinas no ano seguinte sem precisar passar pela repetência.
O consenso surgiu após a Secretaria Municipal de Educação analisar, nos últimos 15 dias, as opiniões e críticas que recebeu sobre o Mais Educação. “Seria muito difícil viabilizar a dependência e foi quase unânime (na consulta pública) que seria inútil também carregar uma disciplina para o ano seguinte. Na opinião das pessoas, se algo tiver que ser resolvido em relação a alguma deficiência do aluno, que isto seja solucionado naquele ano mesmo, que o estudante não tenha que carregar nada para o ano seguinte. (...) Todas as opiniões (no governo) convergem para isso”, disse o secretário de educação, Cesar Callegari, ao iG . Fabiana Carvalho/MEC
César Callegari vai deixar a Secretaria de Educação Básica do
Ministério da Educação até o fim do ano
Na reorganização do ensino fundamental que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou em agosto, a secretaria de Educação vai alterar os ciclos e aumentar a possibilidade de repetência. Atualmente, os alunos podem ficar retidos apenas no 5º ano e no 9º ano. Na nova configuração, haverá três ciclos: de alfabetização (1º ao 3º ano), interdisciplinar (4º ao 6º ano) e autoral (7º ao 9º ano). Ao final do primeiro, segundo e na 7ª, 8ª e 9ª série do terceiro ciclo, aqueles que não aprenderam o mínimo que deveriam podem repetir de ano.
Embora o número de anos em que pode haver retenção tenha sido ampliado de dois para cinco, Callegari respondeu de maneira otimista quando perguntado sobre a possibilidade dos números de reprovados aumentarem depois que o Mais Educação começar a valer. “Não vai ter reprovação, vocês vão ver”, respondeu de forma bem-humorada. As novas diretrizes serão implementadas na rede a partir do ano que vem. Essa é a mais profunda transformação no modelo educacional da cidade desde que o sistema de progressão continuada foi implementado, há 21 anos.
Os três ciclos
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, objetivo do primeiro ciclo (1º ao 3º ano) é garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, meta estabelecida também pelo Ministério da Educação através do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.
No segundo (4º ao 6º ano), o aluno passa a ter mais disciplinas, com um professor âncora até o sexto ano, não mais só até o quinto, e outros docentes que orientarão o desenvolvimento de projetos. Segundo Haddad, isso deve diluir o choque da mudança entre o universo do “único professor para o universo de vários professores”, que normalmente ocorre no quinto ano. E, no último (7º ao 9º ano), o aluno passa ater docentes especialistas para todas as disciplinas.
Além de mudanças na organização curricular e de avaliação, o plano Mais Educação inclui promessas de construção de creches , escolas de ensino infantil e 20 novos CEUs (Centro de Educação Unificado), que também se transformarão em polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para oferecer cursos de graduação, especialização e mestrado a distância para professores .
Índice de analfabetismo do País passou de 8,4% para 8,5% entre 2011 e 2012, segundo a pesquisa anual do IBGE
A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos no Brasil registrou um pequeno crescimento entre 2011 e 2012, revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O estudo divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o índice nas cidades brasileiras passou de 8,4% na pesquisa de 2011 para 8,5% em 2012.
Rendimento: Mulheres receberam ainda menos do que os homens em 2012 Trabalho infantil: Exploração do trabalho infantil cai 4,2%, diz Pnad 2012 Crescimento: Número de domicílios no País cresce mais do que a população
De acordo com o IBGE, a série foi harmonizada sem contar os habitantes das zonas rurais da região Norte, já que a pesquisa não atingiu essas áreas em todos os anos. A última vez que a Pnad havia registrado crescimento no índice foi em 1997, quando o índice de 14,7% também foi 0,01 ponto percentual maior que o ano anterior. A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, disse que o fenômeno precisa ser estudado. O aumento ocorreu nas regiões Nordeste (16,9% para 17,4%) e Centro-Oeste (6,3% para 6,7%), entre as pessoas de 40 a 59 anos, que passou de 9,6% para 9,8%, e influenciou a estabilidade da taxa.“As taxas de analfabetismo entre as populações mais velhas são muito altas, cerca de 30%, enquanto entre a população mais jovem são pequenas. A população vai se escolarizando, a tendência é que o analfabetismo caia. Então, ante a estabilidade ou elevação de 0,1 ponto percentual, precisamos entender melhor o que aconteceu”, comentou ela.
O Nordeste concentrava, em 2012, 54% dos analfabetos de 15 anos ou mais de idade. Entretanto, nos últimos oito anos, foi no Nordeste onde a queda foi mais elevada (de 22,5% para 14,4%). Entre 2011 e 2012, o percentual caiu nas regiões Sul (4,9% para 4,4%) e Norte (10,2% para 10%).
O analfabetismo funcional, que reúne as pessoas com até quatro anos de estudo, entre a população de 15 anos ou mais de idade, caiu de 20,4% para 18,3%. Entre os maiores de 25 anos, o percentual caiu de 15,1% para 11,9% de 2011 para 2012, um contingente de 3,4 milhões de pessoas. Os maiores índices de analfabetos funcionais estão no Norte e no Nordeste, mas o contingente diminuiu em todos os Estados, com destaque para a região Norte que teve redução de 3,4 pontos percentuais.
A Pnad revelou ainda que a taxa de escolarização das crianças e adolescentes foi de 98,2%, mesmo percentual verificado em 2011. Para os jovens de 15 a 17 anos de idade, o percentual dos que frequentavam escola foi de 84,2%, proporção superior à observada em 2011 (83,7%).
Na comparação entre 2011 e 2012, houve aumento do percentual daqueles que possuíam nível fundamental incompleto ou equivalente, de 31,5% para 33,5%. Por outro lado, diminuiu a proporção das pessoas sem instrução e com menos de 1 ano de estudo de 15,1% para 11,9% no mesmo período. O percentual de pessoas com nível superior completo aumentou de 11,4%, em 2011, para 12,0%, em 2012. Assim, em 2012, havia 14,2 milhões de pessoas com nível superior completo, 6,5% a mais que em 2011.
Outros anos: Pnad 2011: Mulheres já são mais de 100 milhões no Brasil, revela Pnad Pnad 2009: Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população População
Em 2012, a população residente estimada no Brasil foi de 196,9 milhões de pessoas, representando um crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior, ou seja, de 1,6 milhão de pessoas. Analisando a população por faixa etária, em 2012, 63,2% tinha até 39 anos de idade e as pessoas com 60 anos ou mais de idade representavam 12,6% da população (em 2011, correspondia a 12,1%).
Em 2012, com relação à declaração de cor ou raça, a maior parcela observada (46,2%) da população residente, 91 milhões de pessoas, era branca; 45,0% parda (88,6 milhões) e 7,9% preta (15,6 milhões). O grupo formado pelas outras declarações (indígena e amarela) representou 0,8% (1,6 milhão).
Residências
Em 2012, dos 62,8 milhões de domicílios particulares permanentes, 53,6 milhões eram beneficiados por rede geral de abastecimento de água. Em valores absolutos, o crescimento resultou em mais 1,8 milhão de unidades atendidas. O número de domicílios atendidos por coleta de lixo passou de 54,4 milhões para 55,8 milhões de unidades no Brasil, representando, em termos relativos, 88,8% do total de domicílios pesquisados em 2012, mantida a mesma participação apurada em 2011.
A participação dos domicílios que dispunham dos serviços de rede coletora de esgoto, de 2011 para 2012, cresceu 2,1 pontos percentuais, atingindo 57,1% do total de domicílios investigados. De 2011 para 2012, a proporção de domicílios que possuíam iluminação elétrica passou de 99,3% para 99,5% do total de domicílios investigados no País (62,5 milhões de unidades domiciliares atendidas).
Em 2012, o percentual de domicílios em que ao menos um morador possuía carro ou motocicleta para uso pessoal foi de 42,4% (26,7 milhões de unidades) e 20% (12,6 milhões de unidades), respectivamente. Em 2011, esses percentuais foram 40,9% e 19,1%, nesta ordem.
Em 2012, foram contabilizados, no País, 122,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade que possuíam telefone móvel celular para uso pessoal. Esse contingente de usuários cresceu 6,3% em relação a 2011, o equivalente a 7,2 milhões de pessoas.
O número de domicílios com algum tipo de telefone seguiu a tendência dos últimos anos e, de 2011 para 2012, apresentou crescimento de 4,1%, ou seja, 2,2 milhões de novos domicílios com acesso a esse serviço no País. Após este avanço, a pesquisa mostrou que 91,2% dos domicílios pesquisados possuíam algum tipo de serviço de telefonia.
Empreendedores conseguiram os primeiros trocados antes dos 18 anos
Após
ver a firma do pai quebrar, o adolescente Kauê Linden decidiu
empreender por conta própria. Foi emancipado aos 17 anos para abrir sua
empresa, reformou o quarto de empregada de casa e fundou ali a Hostnet,
uma provedora de serviços de internet, hoje com 40 mil clientes e uma
sede instalada no Rio de Janeiro.
Aos 14 anos, antes
mesmo de ser um empresário precoce, ele já ganhava uns trocados
trabalhando com o pai, arrumando computadores e organizando eventos
esportivos na web. Aos 18, Linden bancava as próprias despesas e, um
ano depois, saiu de casa. Foi quando começou a ajudar os pais
financeiramente, além do auto sustento. “Como todo jovem, tive um
impulso consumista quando comecei a ganhar dinheiro. Gastei bastante
com viagens, passeei de helicóptero e ainda pagava aluguel”, conta. Em
pouco tempo, porém, ele percebeu que deveria se educar financeiramente
e começar a acumular patrimônio.
O jovem abriu uma empresa de publicidade
com um sócio, diversificou o capital em fundos imobiliários e investiu
em uma carteira de ações com 20 companhias. Hoje, aos 30 anos, tem um
imóvel quitado e não possui dívidas.
Se
tivesse seguido uma carreira corporativa, Linden acredita que não teria
conquistado esse patrimônio tão rápido. “Carteira de trabalho é
sinônimo de escravidão. Você só consegue antecipar a liberdade
financeira se empreender”, diz ele, que iniciou seu negócio antes de a
bolha da internet estourar, nos anos 2000.
O caminho da emancipação
Pelo
exemplo de Linden, empreender pode ser uma das vias mais curtas rumo à
independência financeira. Ao contrário da chamada “geração canguru” –
adultos que vivem sob as asas dos pais – ele está na contramão de
estatísticas que apontam uma tendência de emancipação cada vez mais
tardia.
Existem 3 milhões de famílias no Brasil, das
classes média e alta, sustentando filhos acima de 30 anos, das classes
média e alta, de acordo com o último levantamento do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em 2012.
O
jovem se torna independente quando é capaz de cobrir seus gastos fixos,
semifixos e variáveis, explica a consultora financeira Suyen Miranda.
“Significa que a pessoa não depende mais de terceiros para pagar as
contas”.
Aluguel, condomínio e prestações de
financiamentos entram na planilha das despesas fixas, enquanto contas
de energia, telefone e água, por exemplo, ficam mais caras ou baratas
conforme o uso. Já os gastos variáveis incluem lazer, alimentação e
transporte (abaixo, veja como fazer a simulação de seus gastos).
Fabricando o próprio dinheiro
A
veia empreendedora também foi o caminho para Matt Montenegro tornar-se
independente ainda cedo. Ele ingressou no grupo de 1,5 milhão de
empresários entre 16 e 24 anos existentes no Brasil, segundo o Data
Popular. Aos 18 anos, ele gerava todo o dinheiro que precisava para
viver e ajudava os pais nas despesas de casa.
Matt Montenegro: faturava R$ 100 por dia com a venda de balas para colegas da escola
Fundador do beved.com.br – um
marketplace de aulas presenciais e online –, Montenegro começou a
empreender ainda na escola, em 2003, vendando os pedaços de pizza Hut
que sobravam da refeição dos pais no domingo à noite.
Montenegro
ampliou a venda de balas e doces nos intervalos da aula, até que seus
pais foram chamados pela diretoria. A concorrência do filho estava
incomodando os donos da lanchonete da escola. Propôs um acordo para
vender produtos diferentes dos da cantina, e seguiu com o negócio.
Chegou a faturar R$ 100 por dia e contratou um colega para ajudar nas
vendas.
Ao fim do colégio, abriu uma loja de
camisetas e trabalhou em startups, onde teve inspiração para atuar no
ramo de tecnologia. Entre 2008 e 2009, Montenegro abriu um site com
ofertas de aluguel de apartamentos, similar ao AirBnb.
O
rapaz mudou o foco do negócio para a área de educação, quando lançou o
beved.com.br em julho de 2012, com a ideia de possibilitar o ensino por
demanda. Em janeiro, o site entrou no azul com 13 mil usuários
cadastrados e gerou faturamento de R$ 90 mil, em sete meses, apenas
para um professor de design que oferece suas aulas na plataforma.
Para
Montenegro, o apoio dos pais para empreender foi fundamental para
conquistar a independência ainda cedo. “Começou mais como um desafio
cheio de adrenalina e satisfação do que uma lista de obrigações, somado
ao instinto de sobrevivência”, conta.
Como incentivar a independência
Os
pais podem incentivar a emancipação precoce dos filhos ainda no berço.
Um dos caminhos é investir em previdência privada ou montar uma
poupança desde o nascimento, segundo a consultora Suyen. “Ao longo de
18 anos, valores mensais de R$ 50 podem resultar em um bom patrimônio”.
O
dinheiro da previdência costuma ser usado para presentear a prole com
um carro ou casa, além de pagar a universidade ou um curso no exterior.
Mas se o objetivo for fazer o filho fabricar o próprio dinheiro,
observa a especialista, a dica é usar essa capital para a abertura da
empresa do jovem.
Alguns possuem propensão natural
para a independência, que costuma despertar por volta dos 12 anos. “A
criança ou adolescente pode oferecer serviços que saiba fazer bem, como
aulas de reforço, lavagem de carros, informática ou venda de
bijuterias”, exemplifica.
Os pais têm condições de
ajudar nesse processo, explica Suyen, orientando o jovem sobre quanto
cobrar pelo serviço e como conseguir clientela.
Na
opinião da especialista, a emancipação tardia de jovens adultos é mais
um traço cultural do brasileiro do que financeiro. “Muitos pais não
querem que os filhos sejam independentes. Nossa cultura não estimula o
jovem a viver sozinho”.
Na ponta do lápis
Para
descobrir se é o momento ideal de tornar-se independente dos pais ou
tutores, faça uma simulação da soma de todas as despesas que você teria
se saísse hoje de casa, conforme o padrão de vida escolhido:
Gastos fixos
Aluguel, condomínio, dívidas, assinatura de TV a cabo, internet e prestações de financiamento.
Gastos variáveis
Conta de luz, telefone, água, gás.
Gastos variáveis
Cinema, restaurantes, roupas, transporte, educação e outros.