Escola de Minas foi fundada em 1876, por D. Pedro II, em Ouro Preto
Fundada em 1876 pelo imperador D.Pedro II e terceira instituição de ensino superior do Brasil, a Escola de Minas, que hoje integra a universidade Federal de Ouro Preto, foi a primeira especializada em mineração e geologia no País. Com 137 anos, a serem completados em outubro e, em meio ao fenômeno do Pré-Sal, a escola ganha um livro comemorativo, em edição de luxo e capa dura, contando sua história. O lançamento será nesta quarta (24), no Clube de Engenharia, no Rio.
Maleta de campo do geólogo francês Gorceix, fundador da escola
A faculdade teve papel estratégico para o crescimento, a modernização e o desenvolvimento do Brasil, como pioneira na formação de uma elite intelectual em área onde o País não tinha escola até então. O realizador do projeto foi o cientista francês Claude-Henri Gorceix, fundador e diretor, trazido para o Brasil com este fim pelo imperador. É de Groceix o mote em latim da escola, “Cum Mente et Malleo” (“Com a mente e o martelo”). Para o francês, a mineralogia deveria ter a boa formação teórica aliada à prática da pesquisa, simbolizada pelo martelo, instrumento básico do geólogo no campo e no exame dos minerais.
Gorceix mantinha correspondência frequente com D. Pedro II e o mantinha informado sobre a organização e funcionamento da escola, que o imperador visitou em 1881. No encontro, assistiu a uma aula do acadêmico e fez um comentário peculiar em seu diário de viagem: “Gostei de ouvir a exposição de ideias tão civilizadas a 80 léguas do Rio de Janeiro, de onde, felizmente, já começou a irradiar-se o progresso para todo o Brasil.”
Biblioteca da escola tem livros raros
Fez ainda uma segunda visita oito anos depois, acompanhado da Princesa Isabel e D. Pedro Augusto, apenas cinco meses antes de ser destronado pela República.
A Escola de Minas formou muitos alunos que depois se tornaram políticos – como o senador Alfredo Baeta Neves (MG) e o prefeito de Belo Horizonte Américo Giannetti (51-54) –; matemáticos importantes, como Antônio Moreira Callaes; além de geólogos importantes, como Carlos Walter Marinho Campos – a quem a Petrobras aponta como estruturador da Bacia de Campos e formulador da política de exploração em águas profundas, embrião do Pré-Sal, e o ex-presidente da Petrobras Irnack Carvalho do Amaral. A empresa petrolífera é uma das patrocinadoras do livro.A primeira aluna mulher a se formar foi Maria José de Oliveira Castro da turma de 1957, em Engenharia de Minas, Metalurgia e Civil.
Santos Dumont e Carlos Chagas foram barrados; Getúlio teve de ir embora
Santos Dumont foi reprovado e não conseguiu entrar na Escola de Minas
Curiosamente, a tradicional Escola de Minas também reprovou e rejeitou a entrada de dois dos maiores ícones históricos das ciências do Brasil: o inventor Alberto Santos Dumont e o pesquisador de doenças tropicais Carlos Chagas.
Santos Dumont matriculou-se no Curso Fundamental da escola, preparatório para as provas de acesso ao superior, em 3 de fevereiro de 1890, aos 16 anos. Seu pai, o engenheiro formado em Paris Henrique Dumont, tivera na cidade o primeiro emprego. O futuro pioneiro da aviação, porém, não foi aprovado nos exames e deixou a cidade em setembro, alegando não ter se adaptado à escola e ao seu “ensino rigoroso”.Devia ser mesmo porque, cinco anos depois, o jovem Carlos Chagas, 17, também levaria pau na prova de admissão, após passar pelo Curso Preparatório da Escola da Minas. Como no caso do inventor, talvez tenha sido positivo para o País. Rejeitado em Ouro Preto, Chagas se matriculou na Escola de Medicina do Rio de Janeiro em 1897. Mais tarde, tornou-se grande pesquisador de doenças tropicais, estudioso da malária e revelou a enfermidade que levaria seu nome, doença de Chagas.
Getúlio saiu fugido de Ouro Preto após morte de estudante rival de seus irmãos
O livro mostra que a biblioteca tem obras raras, fruto da concepção do criador, Gorceix, como "Arte de los Metales (1640)", de Álvaro Alonso Barba, "Traité de Mineralogie” (1822-23), de René-Just Hauy e a edição de luxo do conjunto de dez volumes da “Histoire Naturelle des Oiseaux” (1771-1786), de George Louis Leclerc e “Voyage dand les provinces de Rio de Janeiro et de Minas Geraes” (1830), de Auguste Sainte-Hilaire.
Atualmente, a Escola de Minas tem nove cursos, a maioria de Engenharia (entre os quais o de Minas), Geologia e Arquitetura e 612 alunos, entre graduação e pós-graduação.

