segunda-feira, 29 de julho de 2013

Distração de adolescentes pode ter explicação neurobiológica

A falta de atenção típica da fase pode ser causada por fatores biológicos. Mas especialistas afirmam que esta não é a única razão



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Adolescentes nem sempre são capazes de se concentrar:
condição neurológica e preguiça se confundem
 
 
A cena é comum: você abre a porta de casa e seu filho adolescente, que deveria estudar para a prova de geografia, deixou os livros em cima da mesa e foi brincar com o irmãozinho ou zapear entre os canais de televisão. Você o chama de relaxado, o lembra de que é mais importante e invariavelmente ele diz que não consegue se concentrar. Você pode até achá-lo irresponsável, mas uma recente pesquisa britânica revela que, dependendo do caso, a neurobiologia também pode explicar o problema.

Realizado pelo Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London (UCL), da Universidade de Londres, na Inglaterra, o estudo publicado no Jornal da Sociedade de Neurociência indicou que o cérebro dos adolescentes está estruturalmente mais parecido ao das crianças do que ao dos adultos. “Não é sempre fácil para os adolescentes prestarem atenção às aulas, por exemplo, sem deixarem a mente divagar. Mas isso não acontece por culpa deles”, afirmou o Dr. Iroise Dumontheil, um dos autores da pesquisa, ao site do jornal britânico The Guardian.

Juntamente à equipe de pesquisa, ele monitorou, por meio da ressonância magnética, as atividades cerebrais de um grupo de adolescentes enquanto tentavam resolver um problema matemático. No entanto, a região do cérebro chamada de córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e também pela realização de diferentes tarefas ao mesmo tempo, entre outros encargos, apresentava um nível inesperado de atividades, indicando que o cérebro estava sendo menos eficaz que o de um adulto e atuando de maneira caótica.

Ainda de acordo com o The Guardian, a Dr. Sarah-Jayne Blakemore, líder do estudo, afirmou que a grande quantidade de substância cinzenta – corpos celulares que carregam mensagens dentro do cérebro – é a principal razão para tal movimentação no cérebro. À medida que envelhecemos, esta quantidade diminui. Mas para a psicóloga Carolina Nikaedo, especialista em adolescentes da Clínica EDAC - Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico, em São Paulo, são vários os fatores que devem ser considerados para justificar a falta de atenção.

Tudo ao mesmo tempo
       
Segundo a especialista, a região frontal do cérebro também tem uma participação muito ativa no que é chamado de capacidade de controle inibitório, que nos ajuda a focar a atenção numa palestra ou numa aula, por exemplo, e inibir outros estímulos, como pessoas conversando ou o barulho de um ventilador. “Por ser esta uma região que se desenvolve por um grande período após o nascimento, não é que a criança ou o adolescente não preste atenção em nada, mas sim pode estar prestando atenção em tudo ao mesmo tempo”, explica.

Esta habilidade – ou a falta dela – explica também o envolvimento emocional que possuímos com uma determinada atividade, independentemente de sermos adolescentes ou adultos. “Se jogar videogame gera mais prazer a um indivíduo, ele estará liberando as substâncias desta sensação, que facilita o funcionamento da região do córtex pré-frontal do cérebro e consequentemente a inibição de outros estímulos”, revela. Portanto, se os estudos não atraem tanto o adolescente, será comum deixar os livros sempre para depois.

Mas de acordo com Geraldo Possendoro, psiquiatra, psicoterapeuta e mestre em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), é preciso lembrar que o processo de desenvolvimento da atenção é muito mais complexo do que imaginamos. E os aspectos neurobiológicos inclusos neste processo ainda não são inteiramente conhecidos: “até então não há certeza absoluta sobre as estruturas cerebrais de um adolescente, se já estão maduras e se as atividades já estão sendo realizadas de forma completamente adequada”.

Na opinião do especialista, embora a estrutura que torna alguém capaz de prestar atenção ainda não esteja completamente desenvolvida, na adolescência ela está prestes a chegar ao fim. Mas há variações neste desenvolvimento: “as pessoas possuem ritmos diferentes, então algumas amadurecem este mecanismo mais cedo, outras mais tarde”. Mas segundo ele, também há uma terceira justificativa para a falta de atenção que não corresponde ao processo atencional ou à irresponsabilidade: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Transtorno ou preguiça?

        
Nas pessoas com TDAH, a liberação de neurotransmissores relacionados à atenção é desregulada. Isso dificulta, entre outros aspectos, a concentração. Segundo Possendoro, a primeira suspeita acerca de uma criança com TDAH costuma ser feita na escola, onde os professores observam o comportamento dos alunos diariamente. “Mas 60% destas crianças acabam melhorando espontaneamente quando chegam à adolescência”, revela ele, que ainda afirma que, para diagnosticar o transtorno, muitos critérios devem ser analisados.

No entanto, Nikaedo lembra que os pais devem ficar atentos à irresponsabilidade e à preguiça dos adolescentes. “Este tipo de informação sobre as questões de neurodesenvolvimento se tornou acessível, então eles podem acabar colocando a culpa no cérebro, como se não tivessem controle”, explica a especialista. É preciso estar atento para não deixar que tal desculpa explique o problema sem que seja propriamente avaliada, mas também não deve ser ignorada como se o TDAH fosse apenas uma moda da modernidade.

Tecnologia 24 horas
       
Toda a tecnologia envolvida na vida atual traz um constante incentivo para que os adolescentes tenham sua atenção dividida, e não concentrada. Mas culpar somente a tecnologia não é a solução. “Se o meio exige do cérebro cada vez mais uma atenção dividida, com a televisão, o rádio, a internet 24 horas, as crianças se predispõem a isso desde cedo”, avalia Possendoro.

Para Nikaedo, a tecnologia pode colaborar para o desenvolvimento da criança, mas as escolas precisam saber como utilizá-la. “Um adolescente que tem tudo dentro de casa pode acabar se entediando quando chega à sala de aula e senta numa cadeira dura para ficar prestando atenção somente ao professor”, completa a especialista.

A solução, para Possendoro, é que as escolas passem a estimular a atenção focada, a capacidade de concentração das crianças. E em casa isso também pode acontecer: “é preciso proporcionar momentos cotidianos para que elas se foquem, seja conversando com os pais ou lendo um livro ao invés de estarem com milhares de janelas abertas na internet, falando com os amigos no MSN e assistindo TV ao mesmo tempo”.

Outra possibilidade é dividir o tempo de estudo em períodos menores também pode colaborar para o maior desempenho. “Se você sentar e estudar por cinco horas seguidas, por exemplo, provavelmente três horas serão improdutivas”, diz Nikaedo. Então ela indica que a presença de intervalos a cada 45 minutos, por exemplo, pode tornar este período mais produtivo quando o cérebro ganha momentos de descanso.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/distracao+de+adolescentes+pode+ter+explicacao+neurobiologica/n1237666271627.html

OS DESAFIOS DA ADOLESCÊNCIA

Como tratar assuntos como sexo, drogas, vida escolar e profissão? Especialistas e mães compartilham orientações e experiências


Alexandre Carvalho/Fotoarena
Mariângela e o filho João, de 15 anos:
acompanhamento e caronas para as festinhas
 
Depois de noites maldormidas porque seu filho queria mamar ou fez xixi na cama, chega a adolescência e os motivos das noites maldormidas são substituídos: preocupar-se com o paradeiro dele ou buscá-lo em festinhas durante a madrugada são alguns. Pelo menos é o que a agente de viagens Mariângela Pinto Ferreira, de 50 anos, faz atualmente por seu filho João, de 15: ela prefere levá-lo e buscá-lo nas festas para, entre outros motivos, estar mais próxima a ele. Esta proximidade, nesta fase, é mais necessária do que alguns pais podem imaginar. E deve estar permeada de conversas e esclarecimentos.

As alterações físicas e comportamentais da adolescência aumentam as possibilidades de conflitos entre pais e filhos dentro de casa e, além disso, podem deixar os pais tão preocupados a ponto de não saberem como agir. Com a exposição e proximidade dos adolescentes ao sexo e às drogas, circunstâncias que amedrontam a maioria dos pais, além das diversas dificuldades potenciais do ambiente escolar e das relações sociais, orientar e educar os filhos já jovens parece um trabalho ainda mais árduo do que criá-lo através da infância. Mas não é. Um dos princípios a serem seguidos é o exemplificado por Mariângela: estar realmente ao lado.

Segundo o médico hebiatra Maurício de Souza Lima, vice-presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, conversar com naturalidade, mesmo sobre assuntos desconfortáveis, é uma das principais atitudes que os pais devem tomar nesta fase da vida do filho. “Muitos pais têm dificuldades com isso, mas é o melhor caminho para ter êxito na criação”, diz. Mas nada de chamar o filho de canto para tratar de “assuntos sérios”. À medida que a criança vai crescendo, os assuntos devem ser naturalmente inseridos na conversa por meio da televisão, das revistas, até mesmo dos vizinhos. De acordo com o médico, aproveitar as informações para emitir opiniões ao filho, mesmo que ele só escute, já é um grande passo.

Para o psicólogo especialista em adolescentes Caio Feijó, estar bem informado sobre a maioria dos assuntos é essencial. “Nas questões relativas a sexo e drogas, por exemplo, pais não tão informados quanto os filhos não conseguem se comunicar”, afirma. Autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (Novo Século Editora) e “Educando Filhos e Alunos (Histórias de Sucesso)” (Ajir Editora), entre outros, ele conta que, sabendo mais que os filhos, os pais ganham o respeito e o interesse dos menores pelos conselhos.

Vamos falar de sexo?


Para a dona de casa Joanisa de Campos Leite Ascava, 51 anos, falar com os seis filhos – Lívia, Caio, Daniel, Luisa, Arthur e Letícia – sobre sexo durante a adolescência não foi algo simples. Por medo de que eles abreviassem a vida sem preocupações típica da fase e tivessem que assumir um filho antes da hora, ela sempre reforçou que, caso isso acontecesse, os filhos assumiriam toda a responsabilidade e a juventude deles chegaria ao fim. Mesmo assim, Joanisa nunca chegou a falar às filhas sobre como evitar uma gravidez: “Na minha cabeça isso não é possível. Não poderia dizer às minhas filhas que não se esquecessem de tomar a pílula, por exemplo”.

Enquanto alertava os filhos para terem cuidado, Joanisa confiava no imenso leque de informações sobre o assunto que eles teriam na escola e presenteou os filhos com livros a respeito do tema. “Os adolescentes vão procurar informações, por curiosidade, fora da escola e de casa. Mas se os pais puderem acrescentar cada vez mais detalhes, conforme percebem que o filho já tem a maturidade necessária para entender, mais fácil será evitar dilemas no futuro”, afirma Caio.

De acordo com Kátia Teixeira, psicóloga especialista em adolescência da Clínica EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico), de São Paulo, ao mesmo tempo em que a sexualidade está exposta abertamente, muitos pais acreditam que falar abertamente sobre o assunto dá aos filhos uma sensação de liberdade para fazer o que quiserem. É uma falsa impressão. “Os pais precisam entender que evitar falar sobre sexo não significa que os filhos não terão contato com o tema”, diz. Conversar a respeito, por outro lado, possibilita ao jovem uma tomada de decisão mais consciente.

Os pais devem enfatizar a necessidade do uso de preservativos sempre: “É preciso informá-los que não é porque o adolescente transou três vezes com uma mesma pessoa que não é mais preciso se proteger”, reforça o hebiatra Mauricio.

Drogas: você fumou maconha, filho?


            
De acordo com o psicólogo Caio, as drogas costumam estar muito mais presentes na vida dos filhos do que os pais imaginam. “É uma ideia equivocada não falar sobre o assunto e acreditar que eles não entram em contato”, diz. “Parece que os adolescentes não veem nada de mal nisso, tanto como em usar maconha como usar outras drogas que entram no circuito deles”, reforça Mauricio.

A maconha costuma ser a primeira droga ilícita a surgir na vida de um adolescente e, segundo estudo norte-americano, quanto mais cedo for usada, maiores as chances dos jovens terem as funções cerebrais danificadas. Os pais, portanto, devem estar sempre atentos ao comportamento que o filho apresenta. “Eles precisam entender como o filho é, como ele se constituiu. Só assim vão perceber caso as características mudem”, afirma Kátia. Joanisa percebeu quando um de seus filhos estava fumando maconha: “Eu descobri depois de reparar que ele tinha mudado algumas atitudes comuns dele, como a maneira de se vestir”.

De acordo com Kátia, os pais sempre devem falar dos perigos do envolvimento com qualquer tipo de droga. Mas mais essencial é observar a autoestima do filho. “O adolescente está buscando uma identidade e, nessa busca, ele vai encontrar pessoas que lhe atraem de alguma forma, com drogas ou não”. Portanto, ele precisa ter sempre o suporte da família para estar seguro de si.

O que você bebeu na festa?

            
De acordo com pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), três em cada dez adolescentes consumiram álcool pela primeira vez dentro de casa. De acordo com Caio Feijó, pais devem também dar a devida importância para o contato dos filhos com as bebidas. Mariângela encontrou uma abordagem efetiva com o filho João: “Eu falo sobre o que a mulher pode achar de homens que bebem e, quando eu o busco nas festinhas, ele conta que os meninos que beberam não se deram bem com as meninas”.

Chega de computador por hoje

A chamada “Geração Z” costuma ter muito mais intimidade com internet, redes sociais e celulares do que os pais. Sobra aos pais duas atitudes: além de se atualizarem sobre o tema, para entender o filho, eles devem impor limites. “Muitos adolescentes estudam de manhã e não aproveitam o tempo durante a tarde, pois passam horas na frente do computador”, exemplifica Kátia.

Mas nada em exagero faz bem para a saúde e o computador também entra nesse time. “O adolescente terá um preço a pagar se ficar abusando do tempo na internet, por exemplo”, diz o hebiatra Mauricio. Problemas na coluna ou péssimas notas na escola por passar a madrugada mandando mensagens de texto pelo celular para a namorada são algumas das consequências. “Vale estipular quanto tempo seu filho pode passar no computador ou bloquear a possibilidade dele passar a tarde toda em jogos virtuais”, completa.

Como foi a escola?

O segredo é encontrar uma forma de estar presente nesta área da vida do filho, sem invadi-lo. “O principal a fazer é acompanhar o dia a dia deles”, diz Mauricio. Isso inclui acompanhar as atividades escolares e o comportamento dos filhos dentro da escola. “Hoje pai e mãe trabalham fora e, quando chegam em casa tarde da noite, não querem dar bronca no filho por nada que ele tenha feito. Mas desta forma ele fica perdido e quando chega o fim do ano, ele tem um monte de recuperações”, afirma o médico.

A maior preocupação da gerente de contas Isabela Kauffmann, de 42 anos, são os estudos do filho Lucas, de 17. Ele sempre foi um jovem muito sociável e tranquilo, mas repetiu o 2º colegial no ano passado. A maior dificuldade da mãe atualmente é fazê-lo entender o tempo que ele está perdendo por não se comprometer o bastante com os estudos. “Escuto dos professores que ele simplesmente não presta atenção”, diz a mãe.

Segundo ela, colocar o adolescente de castigo hoje em dia não adianta. Por isso, ela prefere fazer o filho entender, na pele, as consequências dos seus atos. “Eu ia dar uma viagem de intercâmbio para ele se passasse de ano. Não passou, então ficou sem”, explica ela.


O que você quer ser quando crescer?


 Enquanto o filho ainda está decidindo para o que vai prestar, os pais devem manter uma certa distância. “Senão, eles podem influenciar o filho a fazer uma escolha errada”, diz Mauricio. Para Katia, existem vários fatores que podem influenciar e até motivar um adolescente – como seguir realmente a profissão do pai –, mas por ele ainda estar em busca de uma identidade, os pais devem dar chances para que ele se encontre: “Ele pode ficar muito perdido, então os pais podem dar direcionamentos com base nas matérias escolares que ele mais gosta, por exemplo, mas nunca pressioná-los”.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/os+desafios+da+adolescencia/n1596975899389.html

Bater para educar torna crianças problemáticas, afirma estudo

Pesquisadores canadenses reuniram pesquisas de 20 anos e concluíram que a palmada aumenta a agressividade infantil


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Palmadas: comportamento agressivo dos pais estimula a
agressividade da criança
 
 
Adicionando mais combustível ao polêmico tema de bater em crianças, dois especialistas canadenses em desenvolvimento infantil publicaram uma nova análise. Segundo eles, o castigo físico implica em riscos graves para o desenvolvimento da criança a longo prazo.             
           
No estudo, publicado online anteontem no Canadian Medical Association Journal, os autores analisaram duas décadas de pesquisa e concluíram, "praticamente sem exceção, que esses estudos demonstraram que a punição física foi associada com maiores níveis de agressão contra os pais, irmãos, colegas e cônjuges".

Enquanto estudos mostram que o uso da palmada tem diminuído nos Estados Unidos desde os anos 1970, muitos pais ainda acreditam que a violência é uma forma aceitável de punição. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte realizado em 2010 revelou que quase 80% das crianças em idade pré-escolar nos Estados Unidos apanham dos pais.      

"Nosso estudo deve ser usado na orientação aos pais dada por médicos e profissionais sobre o tema", disse o coautor Joan Durrant, psicólogo infantil clínico e professor de Ciências Sociais da família da Universidade de Manitoba, em Winnipeg.

Além de substancial evidência de que as crianças que apanham se tornam mais agressivas, os autores observam que o castigo físico está associado a diversos problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, drogas, depressão e abuso de álcool. Além disso, estudos recentes mostraram que o castigo físico pode alterar partes do cérebro ligadas ao desempenho em testes de QI e aumentar a vulnerabilidade à dependência de drogas ou álcool, segundo os autores.
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Além de aumentar a agressividade, palmadas
estão relacionadas a ansiedade e depressão
 
Muitos pais são céticos quanto aos resultados de pesquisas sobre palmada. Para eles, o uso das palmadas é consequência do comportamento agressivo, e não o contrário. Mas o coautor do estudo diz que os pesquisadores foram capazes de separar as causas.

"Crianças mais agressivas tendem a apanhar mais, mas a punição não reduz a agressividade dessas crianças, e sim a agrava", disse Ron Ensom, que trabalhou como assistente social no Hospital Infantil de Ontário, em Ottawa.

"Quando os pais de crianças agressivas aprendem a reduzir o uso da palmada, e realmente o reduzem, o nível de agressividade de seus filhos cai", disse Ensom. "Ao acompanhar crianças com o mesmo nível de agressividade por anos, o estudo observou que aqueles que apanham tendem a ficar mais agressivos ao longo do tempo".

Os autores instaram os médicos a ajudar os pais a aprender métodos não-violentos e eficazes para a disciplina, mas uma psicóloga infantil norte-americana avaliou que faltou ao estudo fornecer exemplos destes métodos.

"Eles fizeram um bom trabalho em analisar toda a investigação, e é sempre bom reforçar a mensagem, especialmente para os médicos mais novos", disse Mary Alvord, psicóloga infantil com consultório particular em Maryland, nos EUA. "Só faltou dar o próximo passo e informar aos médicos métodos para mostrar aos pais o que fazer, em vez de focar tanto no que eles não devem fazer".

"Os pais muitas vezes se sentem impotentes nestas situações. Eles querem que a criança entenda que fez algo errado", disse Alvord. "Então eu não repreendo estes pais, mas tento explicar que há formas mais eficazes de educar".        

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/2012-02-08/bater-para-educar-torna-criancas-problematicas-afirma-estudo.html    
      

Leo Fraiman: "não são os adolescentes que não têm limites, são os pais"

Psicoterapeuta e autor fala das principais dificuldades no relacionamento com filhos adolescentes e ensina a evitar erros comuns

Muitos pais apelidam (não tão) carinhosamente de “aborrescência” aquela fase da vida em que, eventualmente, o filho chega da escola e se tranca no quarto até a hora do jantar. O período é complicado e poucos pais sabem como lidar com ele, mas uma coisa é certa: adolescentes ainda precisam dos pais.

Segundo o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora? Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare), nem tudo que o adolescente faz é por birra ou pura rebeldia. E, antes de culpá-los por um relacionamento distante, os pais também devem notar os próprios erros. Leia entrevista concedida ao Delas .

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Ser um pai ou mãe participativo é o grande desafio na
adolescência dos filhos
 
 
iG: O que você percebe na relação entre pais e filhos adolescentes hoje em dia que o fez escrever o novo livro? Existem muitas dificuldades?
Leo Fraiman:
Ao longo dos últimos anos venho sentindo, tanto como psicoterapeuta quanto como educador, uma onda de abandono muito grande nas famílias brasileiras. Em nome de ser moderno, de ser amigo do filho, de se estar muito ocupado, os pais acabam largando os filhos precocemente, como se os adolescentes não precisassem mais de cuidados. Mas é durante a adolescência que o cérebro está começando a treinar a capacidade de decisão, de consequência dos atos e, com isso, os pais devem continuar por perto.

iG: Como os pais de adolescentes costumam agir diante destas dificuldades?
Leo Fraiman:
Criam-se três papéis comuns: os pais negligentes, os permissivos e os autoritários. Essas características podem trazer muitos danos aos jovens. Vejo que eles não querem crescer e acabam desprezando a própria vida: bebem muito, usam drogas, se tornam promíscuos. Eu já ouvi muitos pais dizerem que os filhos não queriam nada com nada, mas isso acontece porque o filho não se sentia amado e cuidado. E então surgiu a ideia do livro, para reafirmar o significado de “família”: pessoas que querem participar umas das vidas das outras e manterem uma cumplicidade entre elas.

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Leo Fraiman: "hoje, não são os adolescentes
que não têm limites. São os pais"
 
iG: Há muitas diferenças entre criar um adolescente no mundo de hoje e na geração anterior?
Leo Fraiman:
Muitas. Anteriormente os pais tinham respeito por eles mesmos. O que falavam estava falado e ponto final. Hoje os pais não têm limites. Não é o adolescente que não tem limites, são os pais. Eles querem ir à academia, namorar, curtir a vida, cuidar da carreira e, enquanto isso, deixam o filho com o terapeuta, com a babá, com o personal trainer. Ou seja: com ninguém.

As famílias estão menores, as cidades mais violentas e os adolescentes são criados de uma maneira mais isolada e dentro das redes sociais. Antigamente os filhos tinham que esperar para ganhar presentes, hoje a criança leva um presente para casa ao retornar da padaria com o pai. Vivemos em uma cultura de abandono e imediatismo e é quase como se tivéssemos um padrão adolescente, de que agir como um adolescente é a melhor ideia. O problema em gerar uma cultura em que o melhor é agir como um adolescente é comunicar ao adolescente que ele é o rei do universo – e que crescer é uma porcaria.

O problema em gerar uma cultura em que o melhor é agir como um adolescente é comunicar ao adolescente que ele é o rei do universo – e que crescer é uma porcaria.
iG: E hoje, qual você acha que é o papel ideal dos pais na vida do filho adolescente?
Leo Fraiman:
O papel do pai é ser participativo , mas este é o maior desafio também. O pai participativo é aquele que equilibra afeto e firmeza. Sabe dar carinho, elogio e afago, mas ao mesmo tempo sabe manter a palavra e não cai na chantagem emocional do filho. E é esse o pai que não negocia uma boa educação e os cuidados com a saúde. É aquele pai que se esforça para jantar junto, que vai buscar o filho em uma balada – mas em um horário adequado –, que abraça o filho, que vê o boletim e discute o que está sendo aprendido.

iG: Você afirma que o adolescente pode se afastar dos pais por sentir que não é valorizado. Existem outras razões para isso acontecer?
Leo Fraiman:
A vontade de conviver é natural quando o outro me entende, me respeita e se importa. Quando os filhos sentem que os pais estão em uma relação puramente hierárquica, sempre dizendo que o filho precisa ouvir e se explicar, acaba se afastando. Claro que ele tem esta necessidade natural de conversar, de debater e se posicionar, de confrontar e testar limites, mas os pais devem entender que o comportamento do filho nesta hora não é um problema, mas uma característica.

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Capa de "Meu Filho Chegou à Adolescência,
e Agora?", de Leo Fraiman
 
iG: Há características comuns dos adolescentes que acabam sendo vistas como rebeldia?
Leo Fraiman:
Assim como na terceira idade é natural uma pessoa caminhar mais lentamente, durante a adolescência , a impulsividade, o mau humor e a vontade de romper limites também são características naturais. Isso acontece de acordo com mudanças neurológicas, e não porque o filho está fazendo algo contra o pai. Os pais costumam achar que é birra, mas é preciso entender a natureza do adolescente e procurar um papel de cúmplice, e não mais de dono da bola.              

iG: Como lidar com esta natureza do adolescente?
Leo Fraiman:
Se o pai entende que a irritabilidade de um adolescente é natural, por exemplo, ele não ficará tentando colocar imposições no meio do furacão. O filho, às vezes, vai ficar emburrado e nem toda discussão vai acabar bem. Mas o pai não pode se esquivar. O limite, nesta hora, seria o pai entender que o filho está em uma fase singular, com as emoções à flor da pele, quando tudo é mais intenso, e ser autoritário ou muito permissivo é uma péssima ideia. Ser um pai participativo é, realmente, um grande desafio. Mas é a maior chance que os pais têm de colher o mérito no futuro, com uma família unida, saudável e madura.

iG: Além de serem permissivos, negligentes ou autoritários, que outros erros os pais cometem na criação dos filhos adolescentes?
Leo Fraiman:
Comparar um filho com o outro, comparar com a própria adolescência, comparar com o ideal. Dizer: “eu queria que você fosse médico, que você fosse diferente do que você é”. Tentar escolher a profissão do filho, não se interessar pela escola do filho, não comparecer a reuniões e falar mal do marido ou da esposa para ele são todos grandes erros. É preciso lembrar que filho é filho: não é terapeuta, não é amigo, nem padre. É filho.

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O pai participativo é aquele que equilibra afeto e firmeza. Sabe dar carinho, elogio e afago, mas ao mesmo tempo sabe manter a palavra e não cai na chantagem emocional do filho.
iG: E é possível os pais contornarem estes erros tão comuns?
Leo Fraiman:
O pai precisa entender que sempre é possível contornar, mas o filho tende a desconfiar se o pai se manteve distante por tanto tempo e, de repente, age mesmo como se tivesse um filho. Contornar essa situação é um trabalho de meses – não é em uma semana que o pai irá conseguir mudar a credibilidade. O filho irá se abrir quando sentir que, continuamente, os pais têm esse interesse real. Mas não acontecerá em 15 minutos, se até os 15 anos de idade ele sentiu que os pais não se importavam muito.

iG: Até que ponto os pais podem ajudar o filho adolescente na formação do próprio futuro, sem decidir por ele, nem deixá-lo sozinho?
Leo Fraiman:
Eles podem ajudar dando menos opinião e mais informação. Debatendo mais, escutando mais, dando ao filho uma noção maior da importância de todas as profissões, mostrando as opções que hoje existem no mundo. Mas ficar dando palpite é uma atitude tola: os pais até então provavelmente não conhecem todas as opções do mercado, não sabem quais são as grandes tendências e, muitas vezes, não conhecem os filhos. Ajudar a escolher o futuro baseado em palpite pode ser muito perigoso.

iG: Como agem o pai autoritário, o pai permissivo e o pai participativo diante do futuro do filho?
Leo Fraiman:
Os pais autoritários usualmente colocam regras, dizem “filho meu não vai fazer isso” e adoram levantar o dedo. Os pais permissivos podem acabar deixando o filho solto e aí, quando vê, ele não quer nada. O pai participativo leva o filho às feiras de educação, vê guias de carreira junto com o adolescente, entra em contato com amigos que trabalham em áreas que o filho se interessa. O pai participativo é um co-piloto e nunca tenta ser o comandante.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/leo-fraiman-nao-sao-os-adolescentes-que-nao-tem-limites-sao-os-p/n1597621105354.html

Seis erros cometidos pelos pais na educação dos filhos.

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças


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Preconceito racial deve ser abordado de forma clara na infância
 
Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”
           
Incentivar e apoiar as atitudes de uma criança parece um caminho 100% seguro para garantir autoestima em alta. O problema é que o exagero pode levar a um efeito exatamente contrário. “Até os anos 70 não havia uma preocupação nítida com essa questão da autoestima dos filhos. Quando se começa a falar mais sobre isso, vem o exagero. Os pais começaram a elogiar qualquer coisa, mesmo que banal”, afirma Tania Zagury, mestre em educação e autora do livro “Filhos: manual de instruções” (Editora Record).
Tania ressalta que encorajar e parabenizar um filho deve fazer parte da rotina da família, desde que os pais percebam que as crianças realmente se esforçaram para atingir o objetivo. “Elogios excessivos e falta de encorajamento são dois extremos perigosos. O ideal é cada família encontrar o seu equilíbrio”.

“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”
           
De acordo com os autores do livro, pesquisas apontam que uma hora a menos de sono por dia pode significar problemas como comprometimento da capacidade intelectual, do bem-estar emocional, déficit de atenção e obesidade. Apesar de não haver ainda um consenso estabelecido pelos estudiosos, muitos defendem a ideia de danos causados pela diminuição de horas de sono para crianças e adolescentes.
“Os pais trabalham fora e acabam chegando tarde. Para compensar essa ausência permitem que seus filhos fiquem acordados até mais tarde em sua companhia. Mas isso pode ter um efeito ruim”, aponta Tania. O psicólogo clínico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Quirino concorda: “um sono ruim pode gerar alterações afetivas, cognitivas e sociais. O sono é fundamental para uma boa saúde”            
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Livro tenta mudar mitos sobre educação de
crianças
 
“Ensino a meu filho que somos todos iguais”

Qual a forma ideal de falar sobre diversidade racial com as crianças? Muitos pais acreditam que expor a criança a um ambiente multirracial, sem necessariamente apontar diferenças físicas como a cor da pele, seria o suficiente para desencorajar o preconceito e fazer com que o filho encare tudo com naturalidade. Para Po Bronson e Ashley Merryman, ficar apenas no discurso de “somos todos iguais” não é o caminho ideal. Os autores do livro defendem a abordagem mais clara do tema com diálogos exatamente sobre essas diferenças físicas e por que elas não devem ser motivo de discriminação. “O discurso de que somos todos iguais é mesmo muito superficial porque simplesmente não somos iguais. Pelo menos não fisicamente”, diz Marcelo.
Psicóloga e terapeuta familiar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marina Vasconcellos acredita que o importante é ensinar a respeitar as diferenças. “Dizer que somos todos iguais acaba sendo uma mentira mesmo. Outra abordagem é necessária”.
“A criança enxerga diferenças físicas. É uma questão visual. Precisamos ensinar que essas diferenças existem e nem por isso um é melhor do que o outro. A questão do preconceito deve ser trabalhada desde cedo com mais profundidade”, afirma Tania.

“Não discuto com meu filho adolescente”
           
Fase de bastante atrito, a adolescência é motivo de pavor para muitos pais. Alguns se sentem afrontados e outros desrespeitados diante de tantas discussões e confrontos. Mas será que os filhos também enxergam as discussões como uma forma de desrespeitar seus pais? “Tudo depende de como essa discussão acontece. Vozes exaltadas e xingamentos, por exemplo, não fazem parte de uma discussão saudável. Mas se é uma conversa respeitosa, é muito positivo para a família”, conta Marina.
Para fugir de tantos conflitos, muitos pais acabam sendo condescendentes com atitudes erradas dos filhos, como dirigir um carro sem permissão ou chegar embriagado em casa. Casos assim exigem posicionamento dos pais para o adolescente saber que eles se importam com seu bem-estar. “O adolescente pode confundir permissividade excessiva com falta de interesse mesmo. É preciso encontrar um equilíbrio. O interesse abusivo e o desinteresse total são igualmente prejudiciais”, ensina Marcelo Quirino.
           
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Não é possível prever se criança será adulto
bem sucedido
 
“Meu filho é superinteligente”

Será possível detectar hoje os grandes nomes do futuro? O livro de Po Bronson e Ashley Merryman conta que milhões de crianças competem por vagas em boas escolas nos Estados Unidos, mas que em 73% dos casos todo esse processo seletivo mostrou-se equivocado. “Não há como prever se uma criança vai ser bem sucedida, mas se ela tiver uma boa educação certamente terá mais chances”, diz Tania Zagury.
“Os pais ou os avós podem até enxergar um gênio, entretanto é o coração falando alto. Tirando o emocional de campo, crianças mais precocemente estimuladas possuem maior possibilidade de desenvolvimento intelectual”, diz Tania, observando que as diferenças individuais existem e devem ser respeitadas.

“Meu filho assiste a DVDs educativos”
           
É sedutor pensar nos vídeos educativos disponíveis na prateleira das lojas como ajudantes poderosos no desenvolvimento da fala do seu bebê. Um engano comum, segundo os autores de “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças”. O assunto é tão polêmico que foi alvo de um comunicado da Academia Americana de Pediatria condenando o uso de vídeos para crianças de até dois anos de idade.
O psicólogo Marcelo Quirino explica que o desenvolvimento da linguagem é acima de tudo afetivo. “O vídeo é passivo e não estimula a interatividade com a criança. É uma ferramenta auditiva e visual. Não substitui o afeto e o diálogo entre pais e filhos”.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/seis-erros-cometidos-pelos-pais-na-educacao-dos-filhos/n1597659602171.html

Pais têm atitudes equivocadas na educação de filhos

Contradição entre discurso e ação é o principal problema, segundo pesquisadora. Pais valorizam diálogo, mas admitem punição física


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Pais valorizam diálogo, mas admitem punição
 
Pesquisa feita com 860 pais evidencia a diferença entre as concepções educativas e as intervenções concretas deles sobre seus filhos adolescentes. “Apesar de os pais valorizarem o diálogo, 69,7% deles afirmaram que concordam em punir fisicamente o seu filho caso ele faça algo muito errado”, revela Luciana Maria Caetano, professora do curso de pedagogia da Universidade São Francisco e responsável pela pesquisa.

O trabalho de Luciana faz parte de sua tese de doutorado defendida no Instituto de Psicologia (IP) da USP e mostra, por meio das respostas dos pais a questionários, as contradições na forma que eles educam seus filhos: “No discurso, eles (os pais) se preocupam em ensinar o respeito mútuo, a importância do diálogo, a arcar com as conseqüências. Entretanto, nas atitudes concretas aparecem as dificuldades.”
No caso de bater nos filhos, Luciana lembra que os pais, com essa atitude, estão ferindo a integridade física e psicológica dos jovens. Ela comenta que esse tipo de punição ensina aos adolescentes uma justiça retributiva. “Por esse conceito de justiça, os pais passam um modelo de resolução de conflitos fundamentado na violência ou troca, ou seja, os filhos pagam por aquilo que fazem. Bateu no irmão? Então será punido da mesma forma. Essa atitude se vê, por exemplo, no trânsito, quando um motorista é fechado por outro e tenta compensar tentando passá-lo depois.”
Segundo Luciana, o modelo ideal de justiça é a distributiva, que considera as condições de cada filho, com suas necessidades, suas características e suas dificuldades.

Autonomia
          
Além de justiça, a pesquisa analisou o que os pais pensam da obediência, respeito e autonomia na relação com os filhos. Sobre autonomia, o questionário mediu o grau de importância que os pais dão a essa concepção na educação e a participação deles na construção da autonomia moral dos filhos na adolescência.

Mais uma vez, os pais deram respostas contraditórias. Por um lado, eles consideram importante que o filho seja autônomo e apoiam questões como dar oportunidade de escolhas aos filhos, incentivar que estes tenham suas opiniões e que arquem com as consequências de seus atos. Em contrapartida, ao julgarem o ideal de como devem ser as relações de respeito com os seus filhos, 84% concordam que um pai nunca deve confiar no filho e 57,9% concordam que os pais devem dar palpite em tudo o que o filho faz.
Outro aspecto enfatizado por Luciana é a utilização da barganha pelos pais para que seus filhos os obedeçam. O recurso serve como uma espécie de troca entre pai e filho. “Podemos citar como exemplo o caso de um filho que não quer fazer lição e os pais fazem uma troca, cortando o acesso dele à internet. O problema é que o jovem não aprenderá porquê ele deve fazer a lição e se adequará as oportunidades da barganha. Adolescentes que só fazem coisas por trocas futuramente não compreenderão as razões e princípios das regras.”
Luciana ainda ressalta a importância de se construir uma reciprocidade moral nas relações familiares, o que implica em relações de respeito mútuo, cooperação e confiança. “Para isso, os pais precisam ser fonte de boas regras e exemplo para os filhos. Obedecer à autoridade por medo ou por culpa não favorece a construção da autonomia. O autônomo é aquele que age bem com liberdade de escolhas”, conclui.

Amostra

          
A pesquisa abordou pais (20,6%) e mães (79,4%) de adolescentes com idades entre 12 e 20 anos. Havia participantes de cada uma das cinco regiões do país (42,8% do Sudeste, 20,2% do Nordeste, 16,5% do Centro-Oeste, 11% do Norte, e 9,3% do Sul).
A amostra com os pais foi realizada no ambiente escolar (54,8% na escola pública e 45% na privada), de diferentes condições econômicas.
Na pesquisa, os participantes tinham de responder a um questionário em que atribuíram notas de 1 a 7, as quais variavam de opções com as quais eles discordaram totalmente e aquelas com as quais eles concordaram totalmente.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/pais-tem-atitudes-equivocadas-na-educacao-de-filhos/n1237654365531.html

ELE É UM EM CASA E OUTRO NA ESCOLA

Oscilações de comportamento dentro e fora do ambiente familiar indicam que seu filho quer atenção. Mas por quê?

Na escola, a pequena Giovanna, de 1 ano e 5 meses, é uma criança doce. Passou pelo processo de adaptação inicial como todos os coleguinhas e nunca trouxe pra casa nenhum tipo de reclamação. É um bebê exemplar, faz todas as atividades previstas na hora certa, sem nenhum tipo de contestação. Mas em casa, se perder o pai ou a mãe de vista, ela chora, grita e faz a maior bagunça. “A única coisa que a deixa calma é quando eu e meu marido estamos por perto. Diante disso, temos um sério problema: não podemos ir sequer até a esquina”, conta a administradora de empresas Daniela Pavan D’Amico. Giovanna está longe de ser a única criança com comportamentos completamente distintos em casa e fora dela. Mas o que a faz se comportar de forma tão diferente?
Guilherme Lara Campos / Fotoarena
Daniela prepara a mochila de Giovanna: exemplar
na escola, em casa ela é totalmente diferente e
chora ao menor sinal de afastamento dos pais
Crianças são os seres vivos mais imprevisíveis que existem, principalmente quando falamos de um período da vida marcado pela formação da personalidade e do comportamento, processo intrinsecamente relacionado à maneira que a família se relaciona entre si e com o mundo. Todo comportamento desenvolvido pela criança neste período é fruto do que ela aprende em casa, no dia-a-dia com a família. Ou do que ela vivencia em seu primeiro círculo social, a escola.

Quando os padrões de comportamento de uma criança começam a oscilar dentro destas duas esferas, é sinal de que alguma lacuna não foi preenchida, e aí podem começar a surgir problemas. Maus comportamentos como birra, muito choro, questionamento excessivo com o intuito de enfrentamento e agressão, seja em casa ou na escola, são sinais claros de que seu filho quer chamar sua atenção. Só resta saber o porquê. “Querer chamar atenção não é a causa de algum problema, mas o sintoma de algo que a criança está sentindo e que ela não sabe ou consegue explicar”, afirma Denise Santolere Franque, psicopedagoga mestre em criatividade e desenvolvimento escolar.
Seja por comportar-se agressivamente em casa, seja pela falta de disciplina na escola, que gênero de problema esses sintomas indicam? A resposta pode estar mais perto do que você imagina.

Inimigo familiar

       
De acordo com Mariana Tichauer, psicóloga do grupo Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), “quando uma criança é pequena, ela não está adaptada à dinâmica familiar. É preciso ver como esse ambiente receberá esta criança, porque dali pra frente ela vai responder da maneira que o ambiente ensiná-la a responder”. As palavras-chave para o sucesso da relação são segurança e proximidade. Esses dois reforços são tudo o que as crianças precisam.
Se a dinâmica familiar é prejudicada pela ausência dos pais e, consequentemente, pela ausência de autoridade, a criança acaba criando seus próprios parâmetros – além de força para contestar as regras da família, traduzida em manha e berreiros. “Pais ausentes, que dão tudo o que o filho quer e não colocam limites na educação, acabam gerando crianças mais agressivas, já que nunca ouvir ‘não’ aumenta a incapacidade da criança de lidar com as frustrações. Com isso, sempre que a criança ouve um ‘não’ e se frustra, ela se torna ainda mais agressiva dentro da dinâmica familiar”, diz Denise.
Junte a ausência dos pais à agenda lotada de atividades da criança, todas longe da família, e você terá um cenário em que ela se sente criadora de suas próprias regras, o que reforça a convicção de que ela tem o direito de agir da maneira que quiser, enfrentando a autoridade dos pais sempre que for preciso.

Na casa onde vive a contadora Cláudia Azevedo Soares e sua filha Clara, de 3 anos, a dinâmica familiar é natural e tranquila: ainda que seja uma criança questionadora, Clara aprendeu a respeitar os limites impostos pela mãe. Na escola ela é ainda mais exemplar e recebe sempre muitos elogios. No entanto, nos finais de semana na casa do pai e da avó paterna, onde Clara tem tudo o que quer, ela pinta e borda sob os olhos dos mais velhos. “Em casa, ela sempre pergunta o porquê de ter que fazer determinada coisa, mas respeita e acaba fazendo. Já na casa do pai, ela não tem muita noção de regras. E, com isso, ela sente liberdade para fazer cenas de birra e de agredir a avó, até conseguir aquilo que quer”, conta Cláudia.

Dentro do grupo

   
A criança sem parâmetros de autoridade pode chegar à escola de duas maneiras: ela pode encontrar um professor convicto de sua posição de quem coloca as regras, tornando-se assim um aluno obediente. Ou pode encontrar um professor mais vulnerável à agressividade, cristalizando a figura da criança indisciplinada e arredia. As possibilidades são extremas.
Segundo Denise Santolere, a maioria dos pais resiste em perceber que a falta de disciplina de seu filho na sala de aula é reflexo de um modelo desregrado de interação gerado dentro de sua própria casa, onde a criança age de acordo com suas próprias vontades e sob suas próprias regras, terminando por prejudicar, ao ingressar na escola, não só seu próprio processo de aprendizagem em aula como o de toda a turma.
“Antes, a mãe gerenciava a educação do filho, hoje ela trabalha fora. Por isso ela demora mais para perceber que ele está se comportando de maneira atípica. Como a escola vai lidar com a falta de limites? A professora não está lá para disciplinar a criança, este é um papel da família. A escola só dá o suporte”, afirma.

A regra é clara

   
A reaproximação entre pais e filhos afastados pelas rotinas diárias é um dos principais fatores na luta pelo restabelecimento da posição de cada integrante da família dentro da dinâmica do lar. É necessário que a criança sinta que está sob a orientação do adulto para que ela baixe a guarda diante dos pais. Isso só acontece quando a criança confia em seus pais, e para confiar, ela precisa passar mais tempo perto deles.
A psicóloga Mariana Tichauer conta que, em casos extremos, a busca por ajuda especializada pode ajudar a reforçar os laços entre os pais e a criança, a fim de que a imagem que ela faz de si mesma como quem dita as regras abra espaço para a posição de autoridade exercida pelos pais. Nestes casos, a terapia com a criança nem sempre é a solução mais indicada: quem deve receber orientações sobre como se comportar diante da família são os próprios pais. “As crianças sentem quando os pais estão inseguros, e tudo o que elas precisam nesta fase da vida é segurança. Por isso, quando os casos são muito graves, é preciso procurar orientação sistemática para promover uma readaptação familiar segura e satisfatória”, revela.
Daniela tenta passar segurança e dar muita atenção para Giovanna, passando o máximo de tempo que pode interagindo com a filha, para que ela não precise chorar por atenção quando a mãe vai daqui até ali. Já Cláudia, para orientar sua filha Clara sobre como se comportar tanto na sua casa como na de seu pai, conversa sempre mostrando como é importante agir com respeito com os mais velhos, e quanto amor isso pode lhe render. Ainda que sejam métodos básicos para o estabelecimento do diálogo entre pais e filhos, as soluções para os problemas de casa estão quase sempre escondidas na relação familiar: basta saber se posicionar.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/ele+e+um+em+casa+e+outro+na+escola/n1237828458307.html

Como escolher a escola certa para o seu filho

Na busca pela escola ideal, pais devem levar em conta se a filosofia da instituição está alinhada com os valores da família


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Escolha da escola vai além da estrutura e passa pelos princípios
dos pais
 
Há uma variedade de quesitos a serem considerados na hora de escolher a escola dos seus filhos, da estrutura física à formação dos professores. No entanto, os pais devem levar em conta algo além do equipamento de laboratório e do currículo dos educadores. Que valores a escola pretende passar para as crianças?

De sustentabilidade à formação artística, muitos conceitos podem estar envolvidos na educação, dentro ou fora das aulas formais. O importante é saber se estes conceitos também estão presentes em casa.

Jessica Nunes da Silva, 30 anos, é permacultora, parteira e professora de yoga. Mãe de Saphire, de três anos, e Kaylo, de 12, sempre procurou escolas que se relacionassem com questões de sustentabilidade, espiritualidade e arte.

Saphire ainda é muito nova e, por isso, vai a uma escolinha baseada numa rotina de educação  simples, sem cobranças. Já Kaylo estuda em uma escola que valoriza a expressão artística e inclui esta importância até em outras disciplinas. Por isso, ele já aprendeu sobre o grafite – com direito a grafitar painéis dentro da escola – e teve o caderno de história todo desenhado, após os alunos receberem a tarefa de ilustrar um acontecimento histórico e explicar para a classe o que aquela arte representava. “Algumas crianças até trabalham o surrealismo desta forma”, diz Jessica.

Além da grade proposta pelo MEC (Ministério da Educação), escolas atuais podem oferecer diferentes programas formativos, mostrando os valores ressaltados além da linha pedagógica. De acordo com Daniela de Rogatis, sócia e coordenadora da Companhia de Educação, que auxilia pais na educação dos filhos, o repertório levado às crianças depende da filosofia seguida pela escola. E é aí que mora o diferencial de cada uma.

Além do 2 + 2 = 4

Segundo Rogatis, atualmente algumas escolas envolvem conceitos como a autonomia, o pensamento crítico, a sustentabilidade e a diversidade em seus programas. Os temas podem estar presentes nas aulas, misturando-se ao conteúdo já requerido, ou em projetos eventuais. “Uma coisa é ensinar matemática, outra coisa é ensinar matemática ou outra matéria com conceitos de autonomia. E a família tem que estar de olho para estar alinhada ao mesmo valor”, diz a especialista.

Uma escola que valoriza a autonomia oferece atividades que as crianças possam fazer sozinhas, como se vestir ou ter aulas de culinária para preparar a própria comida, sob supervisão de um adulto. Uma escola que valoriza a sustentabilidade propõe projetos para colocar este conceito em prática, como reciclar o lixo. Se a família fica pouco confortável com a ideia da criança cozinhar ou separar o próprio lixo, deve repensar a opção. “Os valores acabam se tornando parte de tudo”, afirma Rogatis. E os pais devem acompanhá-los para não haver contradições.


Aptidão e autoestima

Para a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia Quézia Bombonatto, este tipo de proposta tira o professor do lugar de “repetidor de conteúdo” e precisa ser bem preparada. Segundo a especialista, os programas devem ser organizados sem esquecer da sistematização do conhecimento. “E não é todo professor que sabe trabalhar a interdisciplinaridade”, diz.

Quézia levanta outra consideração que os pais devem fazer: a aptidão da criança para aquele tipo de aprendizado. Se ela é colocada em uma escola que valoriza muito a arte e o desenho, por exemplo, é preciso saber se ela é hábil o suficiente para não ficar exposta a fracassos diante dos colegas o tempo inteiro. As habilidades se desenvolvem, mas é preciso ver ao menos alguma inclinação na criança. “Não adianta nada colocar o filho em uma escola com um conceito maravilhoso, mas que o deixa fora do grupo. Afinal, é o retorno dos pares que ajuda na construção de uma autoestima positiva”, conta.

Arquivo pessoal
Suzan e a filha Maysa: Bíblia faz parte do
material escolar
Mas conceitos como sustentabilidade e alimentação saudável podem ser desenvolvidos independentemente das habilidades infantis. A analista de Recursos Humanos Suzan Margareth de Paula, de 55 anos, colocou a filha Maysa, 13, em uma escola preocupada com a alimentação das crianças. “Eles passam muitas instruções sobre o assunto, sobre o que faz e o que não faz bem para o organismo, e ela é bem orientada sobre isso”, diz.

Além disso, Suzan é evangélica e, na escola da filha, as crianças estudam religião duas vezes por semana. “A Bíblia faz parte do material escolar”, conta. “Eu queria que ela estudasse em uma escola que pensasse da mesma forma que eu”, completa, enunciando de forma simples a solução para o dilema de todos os pais em busca da escola ideal.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/como-escolher-a-escola-certa-para-o-seu-filho/n1597291760964.html






Meu filho não quer voltar às aulas, e agora?

Resistir ao retorno pode ser só uma manha passageira ou indicar situações mais graves. Para cada caso, há uma recomendação
É hora de dar adeus aos dias de folga e voltar à rotina com aulas, tarefas de casa e trabalhos escolares. Algumas crianças estão com saudades dos colegas e das atividades, mas outras não podem nem ouvir falar em volta às aulas sem ter uma dor de barriga instantânea. Como os pais podem lidar com a criança que resiste a voltar das férias?
O primeiro passo é descobrir o que esta resistência quer dizer. "O 'não quero ir para a escola' pode ter vários sentidos", alerta a psicoterapeuta Ana Gabriela Andriani, doutora em Psicologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Pode ser apenas uma recusa natural e passageira à ideia de voltar a acordar cedo, ter menos tempo para brincadeiras e mais responsabilidades - do mesmo tipo que qualquer adulto sente ao terminar as férias e encarar a volta ao trabalho.
Outras vezes a resistência se apresenta mais constante, tendo aparecido inclusive antes das férias. Nesse caso, o motivo pode estar escondido em uma mudança na rotina escolar: troca de professora, de classe ou de escola ou até mesmo ameaças de bullying. "O diálogo com a escola é fundamental", define Ana Gabriela. Só assim os pais podem entender se a resistência à volta às aulas é só manha ou se esconde algum problema mais sério.
A pura e simples manha, aliás, também pode ser acolhida. Afinal, quem é que gosta, seja adulto ou criança, de voltar das férias? "Acolher a manha não significa permitir que a criança não volte para a escola", diz Ana. Basta conversar com a criança e explicar que esta preguiça é natural, que todos sentem, mas que nem por isso podemos ficar em casa para sempre.
João David Cavallazzi Mendonça, psicoterapeuta familiar, concorda. "Precisa dar à criança o direito de sentir preguiça e sentir vontade de nao acordar - embora isso não signifique em absoluto que ela vá poder dormir até tarde e faltar às aulas".


Arquivo pessoal
Jessica com Kaylo e Saphire: escola alinhada com
valores da família

Agendas lotadas
     
Não querer voltar para a escola pode ser um alerta para um problema muito comum entre as crianças de hoje: o excesso de atividades extracurriculares impostas pelos pais. A garotinha que faz balé às terças e quintas, natação às quartas e sextas e piano às segundas e sábados certamente vai sentir muita falta de um mês em que teve tanta tempo livre - um verdadeiro artigo de luxo para ela.
Os pais se esquecem de que tempo livre, para uma criança, significa tempo para brincar. E brincar é essencial. "A brincadeira é fundamental para o desenvolvimento social, cognitivo, afetivo, da criatividade. A criança precisa de tempo para ser criança", ressalta a psicoterapeuta.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/2013-07-23/saiba-como-escolher-a-mochila-certa-para-o-seu-filho.html

Saiba como escolher a mochila certa para o seu filho

Alças, reforços e regulagem da altura são essenciais para não prejudicar a saúde das crianças e dos adolescentes

Personagens da moda e combinações de cores são as maiores preocupações de crianças e adolescentes em relação à mochila que levarão para a escola. Mas esses fatores estão longe de ser os mais importantes na escolha do acessório: o que conta mesmo são o formato e o revestimento das alças, os reforços estruturais e a possibilidade de regulagem da altura. Cabe aos pais prestar atenção a esses detalhes na hora da compra.  
          
Alças
           
A mochila deve ter duas alças largas e acolchoadas. “Tanto crianças quanto adolescentes devem usá-la com as alças passadas nos dois ombros. Nada de colocá-la de um lado só ou usar modelos de tira única. Pode parecer descolado, mas também pode causar uma escoliose no futuro”, adverte o ortopedista Miguel Akkari, do comitê de ortopedia pediátrica da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). O ortopedista pediátrico Carlos Lopes complementa que a mochila tem que ficar sempre nas costas: “Evite usá-la para a frente, apoiada na barriga”.
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O que conta na hora de comprar uma mochila são o formato e
o revestimento das alças, os reforços estruturais e a possibilidade
de regulagem da altura

Regulagem da altura pelas alças  
         
É imprescindível que as alças sejam reguláveis, para permitir que cada pessoa as adapte ao seu corpo. Tanto Akkari quanto Lopes recomendam que a mochila fique bem junto às costas e que seu final seja ajustado na altura da linha da cintura.

Reforços estruturais
           
A parte posterior da mochila (aquela que fica junto às costas) deve ter um reforço estrutural acolchoado e resistente. “Ele protege o corpo contra objetos pontiagudos e mesmo contra os cantos de livros e cadernos. Evita desconfortos”, afirma Akkari.
            
Peso
           
Vazia, a mochila deve ser o mais leve possível – e hoje em dia os fabricantes preocupam-se com o desenvolvimento de componentes com cada vez menos peso. Cheia, ela deve pesar aproximadamente 10% do peso da criança. Por isso, é essencial que os pais ensinem os filhos a serem responsáveis e a levar apenas o material necessário para o dia. “Não precisa carregar tudo de todas as matérias todos os dias. Bem orientados, eles não esquecerão nada. Além de ajudar na saúde das costas, isso beneficia o amadurecimento da criança”, ensina Akkari

Distribuição do material
           
Os melhores modelos de mochila são os altos. “Quanto mais larga, mais difícil manter a boa postura”, diz Lopes. Portanto, livros e cadernos deverão ser colocados em pé dentro dela. Akkari sugere ainda que estojos e outros acessórios sejam acomodados na frente desses materiais ou em compartimentos mais distantes do corpo.

Nas costas ou com rodinhas?
           
Essa escolha fica por conta do gosto da criança ou do adolescente que for usar a mochila. O único fator a levar em consideração é por onde ela passará. “Mochilas com rodinhas só são confortáveis em superfícies lisas ou rampas. Se não for esse o caso, se a pessoa for subir e descer escadas, é melhor usar os modelos que ficam nas costas”, aconselha Akkari. Lopes salienta que as rodinhas exigem menos força e resultam em menos dores musculares, mas conta que, em sua experiência, percebe que elas só agradam aos mais novinhos. “As crianças mais velhas e os adolescentes não gostam. Acham ‘um mico’ arrastar a mochila desse jeito.”

Lancheira
           
Lancheiras são usadas por crianças do ensino fundamental – as mais velhas preferem levar o lanche na mochila ou comprar na cantina da escola – e suas características não devem causar preocupações nos pais, de acordo com Akkari: “O peso é mínimo, pois ela comportará suco, um sanduíche, alguns biscoitos. Dá para escolher pela beleza, sem problema nenhum”.    

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/2013-07-23/saiba-como-escolher-a-mochila-certa-para-o-seu-filho.html        

Você sabe qual o objetivo da reunião de pais e professores?

Com o retorno das aulas, os encontros pedagógicos voltam para a fazer parte da rotina dos pais. Saiba por que é importante participar e como agir nessas ocasiões.



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Saber que os pais vão às reuniões deixa os filhos mais seguros
e com a noção de que seu desenvolvimento realmente tem importância

O interesse pela educação de crianças e adolescentes é o elo mais forte que pode existir entre pais e escola. Por isso, reservar na agenda o horário das reuniões convocadas pela instituição de ensino e ir a elas preparado para participar é uma tarefa fundamental ao longo dos anos de formação escolar dos filhos.
“Trata-se de uma oportunidade para entender melhor o clima organizacional do local onde eles estudam, conhecer os professores. As reuniões pedagógicas ajudam a desmitificar a escola e a aproximar pais e docentes”, afirma Dóris Trentini, coordenadora pedagógica do ensino médio do Colégio Anchieta.
Essa aproximação abre espaço para a troca de informações sobre como a educação é conduzida em cada ambiente. “É necessário alinhar o discurso entre casa e escola. Se uma puxa para um lado e a outra, na direção oposta, a criança ou o adolescente ali no meio sofre”, explica Silvana Nazário, coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Marista Rosário. Júlia Lázaro, psicopedagoga do Colégio Notre Dame Ipanema, complementa: “A formação de uma pessoa é um processo que não tem fim. A família começa e a equipe do colégio dá continuidade, como um reforço. Todos trabalham juntos para que os estudantes tenham o melhor acompanhamento possível”.
Além disso, saber que os pais vão às reuniões deixa os filhos mais seguros e com a noção de que seu desenvolvimento realmente tem importância. “As crianças gostam de ver seus pais na escola e ficam felizes quando eles vão às atividades a que são convocados. A participação dos adultos é um dos fatores primordiais para a boa educação infantil”, diz a consultora de boas maneiras Sofia Rossi.
Há que se lembrar que, para aproveitar ao máximo as reuniões, é preciso se comportar de maneira adequada à situação. Confira um pequeno guia, baseado em dicas das quatro profissionais, do que se deve fazer e o que é preciso evitar nesses eventos escolares.

Procure:
           
- Participar da reunião do começo ao fim.
- Levar suas dúvidas anotadas em um bloco ou caderno, para poder esclarecer todas e não correr o risco de se lembrar de alguma delas no caminho de volta para casa.
- Escutar até o fim eventuais críticas feitas ao seu filho e só então, com calma, argumentar e pedir sugestões de como melhorar o desempenho dele.
- Aceitar com naturalidade elogios feitos ao desempenho de seu filho.
- Usar linguagem adequada para um diálogo sério sobre a educação das crianças.
- Esperar o fim da reunião para falar com o professor sobre alguma questão particular do desempenho do seu filho.
- Abordar o pai ou a mãe de alguma criança com quem seu filho possa ter algum problema de relacionamento após o fim da reunião e com o intermédio do professor.
- Deixar o celular no modo silencioso.
- Contribuir com o relato de alguma experiência caso o condutor da reunião solicite diretamente que você o faça.

Evite:
           
- Chegar depois do começo ou ir embora antes do fim da reunião. Isso atrapalha seu andamento e demonstra falta de interesse pela educação da criança.
- “Atropelar” quem estiver com a palavra para fazer um comentário ou uma pergunta, mesmo que seja relacionado ao assunto. Espere uma brecha ou levante o braço como indicação de que gostaria de falar na sequência.
- Bater boca com o professor por causa de alguma crítica que tenha sido feita ao seu filho.
- Prolongar o assunto, depois de o professor já tê-lo encerrado, quando seu filho for elogiado. Isso é inconveniente e passa uma imagem arrogante.
- Usar muitas gírias ou palavrões ao se dirigir ao professor e a outros pais.
- Interromper a reunião para falar diretamente com o professor sobre algum assunto particular de seu filho ou de sua família.
- Abordar agressivamente, na reunião ou após seu final, o pai ou a mãe de alguma criança com quem seu filho possa ter algum problema de relacionamento.
- Atender o celular, acessar a internet ou mandar mensagens durante a reunião.
- Reclamar de problemas não pedagógicos da escola (o estacionamento ou a falta dele, por exemplo). Não se esqueça: o foco dessas reuniões é o ensino.
- Tentar alterar a ordem pré-determinada dos assuntos para chegar logo àquele que interesse mais a você.
- Levar presentes para o professor, a não ser que a reunião seja realizada em uma data festiva.
- Travar uma conversa paralela com pais sentados ao seu lado enquanto outra pessoa fala.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/2013-07-29/voce-sabe-qual-o-objetivo-da-reuniao-de-pais-e-professores.html

Educação é prioridade para 80% dos jovens brasileiros, diz estudo...

Um terço da juventude dos países ibero-americanos questiona o funcionamento básico das escolas. Jovens brasileiros são os mais críticos e também os mais liberais em relação a temas controversos, apontam pesquisas.
A juventude ibero-americana de hoje é, em termos gerais, otimista sobre seu futuro, valoriza a educação, mas confia pouco nas instituições. Já o jovem brasileiro coloca a qualidade da educação como prioridade, é mais liberal em temas polêmicos e confia mais nas instituições que os outros jovens ibero-americanos.
Os dados foram apresentados em pesquisas divulgadas nesta semana. Uma delas foi feita pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ), que ouviu mais de 20 mil jovens. O objetivo do estudo, intitulado O Futuro já Chegou, é ampliar o conhecimento sobre os jovens através das opiniões das mais de 150 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos que vivem em mais de 20 países ibero-americanos, o que representa 26% da população total.
Para Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento – instituição que também participou da pesquisa –, investir na juventude é escutá-la e decifrar suas mensagens.
"Estamos diante de uma juventude que não se conforma, que pede melhores oportunidades, melhor qualidade de educação, de saúde, de instituições e oportunidades de emprego e de empreendimento", afirmou Moreno durante o lançamento da pesquisa. Para ele, os recentes protestos que tomaram as ruas do país com grande participação de jovens revelam que os jovens reconhece a importância da sua participação para a construção do futuro.
Outro aspecto apontado pela pesquisa é a presença da violência na vida do jovem. Segundo os dados, os brasileiros são os que mais reconheceram esse problema no seu ambiente. Apesar disso, o jovem brasileiro se mostrou mais aberto em relação a questões mais controversas, como aborto, legalização da maconha e a acolhida de imigrantes. Segundo o estudo da OIJ, cerca de 40% dos jovens brasileiros têm uma visão oposta à dos pais em relação a esses temas.

Educação melhor
 
Cerca de 80% dos jovens brasileiros consideram a educação uma prioridade, resultado 4,75 pontos superior ao registrado entre os mais velhos, segundo pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República divulgada também nesta semana. O estudo ouviu mais de 11 mil jovens antes da eclosão dos protestos que ocuparam as ruas de várias cidades do país.
Em relação aos jovens de outros países ibero-americanos, o brasileiro respondeu de forma mais negativa que todas as outras regiões. Cerca de 40% deles, por exemplo, disseram que o ambiente escolar é violento. Ao mesmo tempo, pouco menos de 10% afirmaram que o ambiente escolar é exigente academicamente.

Manifestante mostra cartaz pedindo melhoras na
educação no país
 
 
Para o secretário-geral da OIJ, Alejo Ramírez, a educação é uma demanda clara da juventude. "O melhoramento dos processos educativos, tanto no ensino médio quanto na universidade, é uma demanda clara e precisa dos jovens ibero-americanos", disse Ramírez à DW Brasil. "Eles sabem que a educação é o único jeito de garantir algum sucesso na vida profissional."
Essa também é a visão de Bruno Vanhoni, assessor internacional da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República. Ele disse à DW Brasil que o modelo do ensino médio brasileiro é pouco atraente para os jovens. "É um debate que vem se arrastando há alguns anos e tem ganhado força", disse, ao se referir às propostas de reformulação do currículo e das metodologias adotadas no ensino médio.
Apesar das críticas ao sistema educacional, a universidade aparece na pesquisa da OIJ como a instituição mais confiável na opinião dos jovens. "É um espaço de aspirações porque nem todos vão chegar à universidade, mas se eles estão falando que a instituição com a melhor imagem é a universidade, então há uma vinculação entre a educação e o futuro dos jovens", explicou Ramírez.

Expectativas

Com a pesquisa da OIJ, foi possível estabelecer um índice de expectativas, que funciona como uma espécie de ranking que mede o grau de perspectiva positiva ou negativa dos jovens de cada país a respeito dos próximos cinco anos. O índice – baseado em variáveis subjetivas – serve para complementar dados objetivos, como o PIB (Produto Interno Bruto), para fornecer mais subsídios na construção de políticas públicas para a juventude.
Para construir o índice, os jovens atribuíram uma nota de 1 a 10 para itens como corrupção, emprego estável, desigualdade, etc. Segundo o estudo a OIJ, os jovens de Equador, Costa Rica e Nicarágua são os mais otimistas. Brasil, Guatemala e Portugal têm a visão mais negativa sobre o futuro.
Apesar das respostas negativas sobre o futuro, o jovem brasileiro é mais engajado, segundo a pesquisa. "O brasileiro tem um perspectiva não necessariamente otimista sobre o futuro, mas tem melhor vinculação com as instituições que outros jovens da América Latina e esses são pontos [que podem servir] para aprofundar a análise da situação dos jovens brasileiros", aponta Ramírez.
O índice de confiança que o jovem brasileiro tem em relação às instituições – incluindo os meios de comunicação, a justiça e a polícia – é maior do que a média ibero-americana, mas ainda é um índice baixo (entre 20% e 30%), na visão de Bruno Vanhoni. "Essas reivindicações apontam para reconhecimento do papel das instituições, eles estão cobrando dessas instituições que elas cumpram seu papel."

FONTE:http://www.dw.de/educa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-prioridade-para-80-dos-jovens-brasileiros-diz-estudo/a-16976756