segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Escolas brasileiras oferecem diplomas estrangeiros de ensino médio

Em busca de internacionalização, colégios brasileiros buscam parcerias com instituições de outros países para oferecer chance de sair da escola com dois diplomas

Alan Sampaio / iG Brasília
Falar inglês como um nativo e tentar intercâmbio no futuro
são os principais interesses dos alunos
 
Melhorar a proficiência dos alunos em inglês, garantir diferenciais diante da concorrência e facilitar a entrada de brasileiros em cursos universitários do exterior. São essas as justificativas das escolas brasileiras para oferecer a seus alunos a possibilidade de terminar o ensino médio com dois diplomas da mesma etapa: o brasileiro e o estrangeiro.
A popularidade da internacionalização das escolas brasileiras vem crescendo, apesar de ainda não haver dados consolidados sobre o tema. As parcerias são feitas nas instituições privadas, que têm organizado caravanas de diretores e professores para conhecer experiências de ensino bem sucedidas em diferentes países e aproveitá-las em suas instituições de alguma forma.

Alan Sampaio / iG Brasília
Walter Ribeiro, diretor do Colégio Mackenzie de
Brasília, recebeu representantes de escolas
estrangeiras interessadas em alunos brasileiros
 
Walter Ribeiro, diretor do Colégio Presbiteriano Mackenzie em Brasília, foi aos Estados Unidos, França e Finlândia com um grupo de diretores da capital. Recebeu visitas de representantes de instituições inglesas, canadenses e americanas interessados em popularizar seus sistemas de ensino no Brasil. Por fim, a escola optou pela alternativa mais escolhida pelos colégios brasileiros no momento: oferecer o high school americano aqui.
A etapa norte-americana da educação que equivale ao ensino médio do País será oferecida no contraturno das aulas. Os currículos de disciplinas como Matemática, Física, Química e Biologia serão integralmente revalidados pela Texas Tech University, parceira da escola e de outros 40 colégios brasileiros. No outro turno, os alunos terão aulas específicas do currículo dos EUA.
Oratória; história e política americana; economia e inglês (literatura, redação e gramática) são algumas das matérias obrigatórias de quem faz high school nos Estados Unidos. Aqui, as aulas também são (e serão, no caso do Mackenzie) dadas por americanos ou ingleses, sempre em inglês. Em 2014, além do colégio presbiteriano, mais dez escolas do País vão oferecer a modalidade.
“Esse era um sonho antigo da instituição e Brasília, com seu perfil cosmopolita por causa de todas as embaixadas aqui, era o local ideal para começarmos uma escola internacional. Os pais querem preparar seus filhos para o mundo e essa é uma oportunidade”, afirma Ribeiro. O convite para se associar à Texas Tech veio da própria universidade.
Rogério Abaurre Filho, coordenador nacional da Texas Tech University no Brasil, conta que a primeira parceria da instituição com escolas brasileiras ocorreu em 1999. “Essa é uma experiência bem sucedida em outros países. Mantivemos o programa em apenas uma escola brasileira até 2008. Este ano, já temos 2 mil alunos brasileiros no high school”, conta.

Domínio do idioma e intercâmbio
Alan Sampaio / iG Brasília
Alunos do 9.º ano do Colégio Mackenzie, Isadora,
Paloma, Manuela e João Pedro já passaram no
teste de proficiência em inglês
 
As aulas complementares nas 51 escolas brasileiras que serão parceiras da Texas Tech começa ainda no 9º ano do ensino fundamental. Manuela Rodrigues, 14, Isadora Martins Pereira, 14, João Pedro dos Santos Ferreira, 13, e Paloma Pimenta da Veiga, 13, passaram no teste de proficiência em inglês aplicado aos interessados em obter dois diplomas ao final do ensino médio e se preparam para começar o modelo em 2014.
Aprender a falar inglês como um nativo e tentar um intercâmbio no futuro são os principais interesses dos estudantes no programa. Nem o aumento na carga de estudos os faz perder a vontade de participar do projeto. Além da aula regular pela manhã, elas terão o calendário esticado em mais duas tardes inteiras por semana no colégio para cumprir o currículo.
“Pode até sobrecarregar, mas não estou com medo”, diz João Pedro, que está “fascinado” com o programa, porque acredita que será mais fácil se candidatar a uma vaga em universidade americana com o diploma. Manuela diz que, mesmo que não faça intercâmbio no futuro, a experiência vai incrementar seu currículo e “abrir fronteiras para o trabalho fora do país”.
Para Paloma, que sempre sonhou em fazer high school nos EUA, a oportunidade facilitou o convencimento dos pais. “Agora não preciso mais viajar. Minha mãe veio à reunião e gostou da proposta”, conta. Ribeiro conta que duas turmas já foram abertas (o limite é de 20 alunos por turma) e estão preenchidas. “Acho que teremos de criar mais”, comenta.
Os pais terão de desembolsar 497 doláres por mês, além da mensalidade regular, que varia entre R$ 1,2 mil e R$ 1,4 mil, para bancar as aulas extras para os filhos. O calendário seguirá os moldes brasileiros e os dois diplomas só serão entregues ao final do 3º ano do ensino médio. “O sistema educacional está se universalizando. O Ciência sem Fronteiras, por exemplo, nos leva a ir além”, diz Ribeiro.

Regras
           
O funcionamento das escolas privadas é controlado pelos sistemas estaduais e municipais de ensino. De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), José Fernandes de Lima, as regras só definem que todos os estudantes brasileiros têm de seguir as normas dos currículos brasileiros. O que a escola fizer além não é proibido.
“Se a escola acrescentar às aulas do currículo brasileiro alguma atividade que corresponda a um currículo de qualquer outro país, é permitido. Os sistemas devem estar atentos e acompanhar, porque a instituição tem de mostrar seu projeto politico-pedagógico para ser credenciada. O que temos de cobrar é que façam o mínimo exigido pelo Brasil”, afirma.
Lima ressalta que as regras do ensino médio preveem carga de 2,4 mil horas durante a etapa. A duração mínima é de três anos, sendo 800 horas a cada ano. Portanto, os diplomas não podem ser entregues antes desse período. “A mobilidade estudantil está crescendo. O que temos de cuidar é que aquilo que estabelecemos como mínimo não deixe de ser feito”, diz.
Na opinião do conselheiro, esses convênios devem aumentar. “A tendência é que esse tipo de modalidade cresça, porque o Brasil está se tornando protagonista. Temos recebido muitos estrangeiros e muitos deles querem voltar a seus países um dia. É muito interessante que haja esse tipo de convênio”, afirma.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-11-11/escolas-brasileiras-oferecem-diplomas-estrangeiros-de-ensino-medio.html

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cada dólar investido em tecnologia educacional exige nove em treinamento

Professor de Educação e Ciência da Computação de Stanford diz que compra de equipamentos é medida popular, mas muitas vezes gera desperdício

A compra de computadores e, mais recentemente, tablets por governos é uma forma de desperdício de dinheiro. A afirmação que pode parecer de algum avesso à tecnologia, pelo contrário, é do professor da Escola de Educação e do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Stanford, Paulo Blikstein. “Para cada dólar investido em tecnologia é preciso nove dólares para treinar para o uso”, diz.
 
Especialistas de Stanford reunidos em São Paulo para um seminário da Fundação Lemann falaram na manhã desta terça-feira (14) dos caminhos para melhorar as escolas e promover a igualdade de oportunidades. Os principais investimentos apontados foram a formação de professores e gestores.
 
NYT
Para melhorar ensino, professores precisam ser treinados para
usar tecnologia
Blikstein, brasileiro que dirige o Transformative Learning Technologies, departamento que desenvolve tecnologias educacionais em Stanford, afirmou que os governos em geral fazem planos que possam mostrar resultados durante o tempo de mandato do eleito e por isso a compra de materiais é um recurso muito usado. “Em vez de gastar no equipamento e na formação que seria necessária, só a primeira parte é feita por várias vezes. Então a gente gasta metade do necessário durante anos e nunca o suficiente para obter a mudança”, comentou.
 
Colega da Faculdade de Educação, David Plank, defendeu o estudo dos resultados dos investimentos atuais na educação brasileira. “É preciso olhar para o aprendizado do aluno e para aquilo que realmente resultou em uma melhora, não adianta espalhar os recursos aleatoriamente”, disse.
 
Membro da Academia Internacional de Educação, Martin Carnoy, voltou-se ao básico. “Se eu tivesse que apontar apenas um investimento seguro, eu diria o professor. Todos os estudos apontam que a melhor formação dos educadores é que faz a diferença.”
 

Alunos preferem jogo que é bateria de testes educacionais a Facebook

Com pontos e medalhas, exercícios passam por jogo e ganham atenção em aula de escola pública de São Paulo

Um texto ou figura, uma pergunta e as alternativas para resposta. Na prática, o jogo educacional Ludz segue o padrão mais tradicional de qualquer exercício escolar, no entanto, alunos do 5º ano da Escola Estadual Henrique Dumont Villares, em São Paulo, dizem gostar do teste online tanto quanto de educação física e, quem tem internet em casa, conta que prefere usar o tempo livre para responder mais questões a entrar em redes sociais.
                                
ig
Aluna da Escola Estadual Henrique Dumont Villares responde
 a testes online em aula e até em casa


Ao acompanhar uma aula, a diferença parece estar em elementos simples que fazem com que a atividade se pareça a um vídeo-game. “Tô lendo rápido porque daqui a pouco aparece a velha do tempo”, explica Arthur Sabbadini, de 10 anos, se referindo a um desenho que aparece antes do tempo limite para responder expirar. Ele também faz questão de clicar em um botão que pode gerar uma dica, eliminar uma alternativa errada ou apenas gerar um desenho de um estudante com um comentário sem utilidade para achar a resposta. “É o colega”, explica Arthur. “Às vezes ele dá uma dica, mas às vezes só fala qualquer coisa.”
            
A colega Thamires Almeida, da mesma idade, conta que prefere “jogar Ludz” a entrar em redes sociais. “Eu não vejo nada de desafio no Facebook, prefiro fazer coisas que sejam divertidas e me deixem mais preparada”, comentou. A rapidez com que a menina encontrava as respostas para os problemas matemáticos de sequência chamou atenção até da diretora, Sonia Sprenger, que estava na sala para acompanhar a reportagem. “Você tem que ler aqui e contar as bolinhas da figura...”, comentava a educadora devagar com o dedo na tela quando a menina assinalou a resposta C, a correta. “Olha só, como pode? Em sala ela não vai tão bem assim no mesmo tipo de exercício”, comentou a diretora com a professora da sala.

 
            
 
Para a coordenadora pedagógica Maria Rita Silveira, o casamento entre tecnologia e educação “é perfeito”. Ela procura softwares livres na internet e organiza atividades para as salas que ainda não contam com o programa pago, comprado apenas por 40 escolas na rede estadual paulista cujos padrinhos empresários da ONG Parceiros da Educação adquiriram. “Agora que temos internet e estamos aprendendo melhor como organizar os alunos nestas atividades, a gente explora isso. Não é fácil sem um direcionamento, mas aqui temos professores que são verdadeiros desbravadores”, diz.        
   
A aula com o Ludz ocorre duas vezes por semana para cada turma, uma para responder testes de matemática e outra para língua portuguesa. Uma estagiária, também paga pela ONG, dá as instruções. A professora da sala acompanha apenas para chamar atenção de alunos que perdem o foco e observar possíveis dificuldades. Arthur, por exemplo, não sabia o que signifiva “verbete” em um dos problemas que leu e “réu” em outro, mas não pediu ajuda a ninguém. Acertou uma questão pelo contexto e errou outra e segue sem saber. “O conteúdo é parecido com o da sala, mas o bom é que aqui eles lêem muito mais”, comenta a professora da turma, Sonia Haquihara, que tem 26 anos de magistério. “Nunca parou de aparecer novidade, essa é mais uma que a gente vai incorporando.”
 

Universidade britânica usa cão para dar apoio a estudantes

Projeto incluiu Jack, shih tzu de três anos, em equipe que auxilia alunos com problemas de aprendizado


Uma universidade em Dorset, na região sudoeste da Inglaterra, está usando um cachorro para ajudar estudantes que precisam de apoio no aprendizado. Jack, um shih tzu de três anos, foi trazido para a Universidade de Bournemouth para auxiliar estudantes com problemas de saúde mental ou problemas físicos ou sensoriais.             

            
Carolyn Atherton, professora e dona de Jack, afirmou que ele é um animal calmo, mas se percebe que alguém está com problemas, ele corre para ajudar.

BBC
Dona diz que cão é calmo até perceber alguém triste ou perturbado

O trabalho de Jack foi criado como parte de um projeto junto com um grupo local de voluntários chamado Caring Canines ("Cães Atenciosos", em tradução livre).
 
Agora, o shih tzu passa o dia no escritório junto com sua dona nas aulas individuais e "atende" até 12 estudantes por semana.

Segundo Atherton, Jack ajuda os estudantes a relaxarem. Também ajuda na concentração e a lidar melhor com tarefas difíceis.

"Sempre pergunto antes aos estudantes se eles estão satisfeitos com a presença dele aqui. Até agora ninguém disse que não", afirmou a dona do cãozinho. "Ele sempre os faz sorrir", disse.
"Ele é um cachorrinho com uma grande presença, um personagem. Ele é muito relaxado, mas ele também tem seus momentos de maluquice."

"Todos nós achamos sua indiferença engraçada. Mas se alguém estiver chateado, ele é (rápido) como um tiro", acrescentou Atherton.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-10-24/universidade-britanica-usa-cao-para-dar-apoio-a-estudantes.html

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Orientações curriculares são insuficientes, avaliam especialistas e gestores

Ministério da Educação elabora base curricular comum para cada etapa e que deverá ser seguida por todo o País

A criação de um currículo mínimo – e igual – para todos os estudantes brasileiros levanta polêmica entre pesquisadores, pedagogos e gestores há anos e, agora, preocupa o Ministério da Educação. Apesar de o país possuir documentos que orientam a organização das etapas de ensino, o MEC recrutou especialistas para elaborar uma nova base curricular comum.
            
Futura Press
Base curricular para alunos divide os especialistas
 
Para o secretário de Educação Básica do MEC, Romeu Caputo, esse é um processo “natural” depois de as Diretrizes Curriculares Nacionais terem sido aprovadas. Nos últimos 15 anos, integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) debateram o assunto e elaboraram as orientações para cada etapa de ensino. Mas a avaliação é de que elas são insuficientes.
“Não teríamos como discutir essa base comum, cuja criação está determinada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sem as diretrizes. Esse é um segundo passo, que vem de uma constatação a partir do diálogo do governo com sociedade e a academia: a de que nós poderíamos e deveríamos detalhar mais as orientações curriculares”, afirma Caputo.

Proposta para ensino médio: Mercadante defende revisão curricular 
                          
A constatação do secretário foi repetida por diferentes participantes de congresso educacional promovido na última semana pelo movimento Todos pela Educação em Brasília. Nos debates, que não eram sobre o tema, a organização curricular foi bastante citada. “Hoje, o discurso em educação já é mais coeso em torno do professor, dos currículos, da avaliação”, acredita Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.
Paula Louzano, pedagoga e doutora em Política Educacional pela Universidade de Harvard, resume a argumentação de quem defende o estabelecimento de currículos mínimos mais detalhados. “É uma garantia de direitos. Todos precisam aprender a mesma coisa, mas hoje o menino da periferia aprende menos. Essa diversidade está gerando desigualdade”, critica.
Para a pesquisadora, estabelecer o que todo estudante brasileiro, de qualquer canto do país, tem de aprender não restringe o trabalho da escola. A perda de autonomia do professor e o receio de desvalorização do conhecimento regional são os argumentos de quem critica a definição de uma base curricular nacional.
“Temos de quebrar o paradigma. Esse discurso (de que padrão é desnecessário) é conservador, porque mantém o status quo. E ninguém nega que o professor tem de ter liberdade para ensinar. Mas ele precisa saber o quê”, afirma Paulo, que é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Ela ressalta que as orientações atuais são vagas.
                          
Orientação para políticas
           
Além de orientar o trabalho dos docentes, a base curricular comum ajudará a definir políticas públicas. A análise, feita pelo secretário Romeu Caputo, se baseia nos programas conduzidos pelo MEC de formação de professores, aquisição de livros didáticos, avaliação nacional. Para Paula, é incoerente o país ter criado avaliações antes do currículo. “É uma inversão”, diz.
“A base não será uma camisa de força para os sistemas locais, mas ela deve ser suficientemente detalhada para orientar as políticas nacionais do MEC. O nível de detalhe é o que estamos discutindo nesse grupo de trabalho, que reúne gestores, especialistas, pesquisadores”, conta Caputo. O documento não tem data para ficar pronto.
As diretrizes atuais falam do tipo de educação que o Brasil deseja – para a inovação, valorizando a cidadania, os direitos humanos, contemplando o direito à entrada na universidade e no mundo do trabalho e valorizando a interdisciplinaridade de conhecimentos – mas não especifica, por exemplo, quais conteúdos ajudariam a alcançar esses objetivos.
O secretário acredita que, mais importante do que o documento, será debater essa ideia com os educadores. Os especialistas reconhecem que esse é um tema difícil, porque choca diferentes interesses. “Em minha trajetória como secretário de educação, nunca vi esse debate convergir. É um assunto espinhoso, que sempre teve resistência”, conta Binho Marques.
Marques foi secretário municipal e estadual de educação, governador do Acre e, agora, atua como secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino do MEC. Para ele, a educação brasileira crescerá em qualidade quando os sistemas de ensino – municipais, estaduais e federal – se alinharem em currículos, formação de professores e avaliação. “Nessa ordem.”
“A escola tem de ter autonomia, mas não pode fazer o que quiser. O que o país pensa e quer para os seus filhos precisa ser contemplado em uma base curricular comum”, defende.

Discórdia na nomenclatura
           
No Ministério da Educação, os debates evitam falar em currículo nacional para não criar mais polêmica. Ainda há muitas discussões entre gestores e especialistas por causa da diversa nomenclatura utilizada por cada um: base nacional comum, padrão, currículo mínimo, orientações curriculares, diretrizes.
“Autonomia sem ancoragem é abandono. Um professor não pode fechar a porta da sala de aula e fazer o que quiser lá dentro, mas também não faremos uma sociedade transformadora sem autonomia da sala de aula, de professor e alunos. Não se deve confundir isso”, opina o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.
O conselheiro do CNE Francisco Córdão, que elaborou muitas das diretrizes acredita que o país não precisa de mais documentos, mas reconhece que o currículo é tema pouco debatido na sala de aula. “As orientações precisam ser colocadas em prática e o currículo escolar é fundamental para ajudar o professor”, diz.
Caputo garante que as novas propostas não mudarão por completo a estrutura dos currículos atuais. Houve muita especulação, por conta de declarações do ministro Aloizio Mercadante, de que uma reforma curricular radical seria realizada. “O que estamos induzindo é o que já acontece no ensino médio inovador, por exemplo, baseados nas diretrizes atuais”, conta.
As experiências de escolas que aderiram ao projeto inovador coordenado pelo MEC são de escolas em tempo integral, que promovem integração de disciplinas, valorizam artes, esportes, preparação para o trabalho. “Não vamos impor currículo, mas promover mudanças e soluções”, afirma Caputo.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-09-16/orientacoes-curriculares-sao-insuficientes-avaliam-especialistas-e-gestores.html

‘Anos finais do ensino fundamental precisam ser repensados’, diz pesquisadora

Superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária critica a falta de políticas específicas para esses alunos

Divulgação
Anna Helena Altenfelder, Superintendente do
Centro de Estudos e Pesquisas em Educação,
Cultura e Ação Comunitária
Nos últimos anos, as políticas e os programas de governos estaduais, municipais ou o federal se concentram na educação infantil, no ciclo da alfabetização ou no ensino médio. Mas a trajetória escolar que os une – os quatro últimos anos do ensino fundamental, chamados de anos finais ou fundamental II – tem sido constantemente esquecida.
                           
Esse “esquecimento”, lembra a pedagoga Anna Helena Altenfelder, pode custar caro. Todo o investimento feito nas etapas iniciais pode se perder. “Se não encararmos o desafio de repensar o fundamental II, vamos perder esforços”, ela diz, categórica. Para ela, o país age como se a qualidade dos anos iniciais fosse naturalmente chegar aos anos finais.

Segundo ela, que é doutora em psicologia e superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), essa lógica está equivocada. “Os indicadores mostram o contrário, estamos perdendo as conquistas”, pondera.

A pesquisadora, que atua também como formadora de professores, conversou com o iG sobre o tema no Congresso “Educação: agenda de todos, prioridade nacional”, organizado pelo movimento Todos pela Educação.

Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Como você avalia os anos finais do ensino fundamental no Brasil?
Anna Helena Altenfelder: Essa fase é conhecida como “o ciclo esquecido”. Um dos fatores é que ele está dividido entre as redes municipais e estaduais. Além disso, existem poucas pesquisas focadas no que chamamos de ensino fundamental II. O próprio Plano Nacional de Educação pouco se refere a metas específicas. Essa fase não é considerada nas suas especificidades, nem nas políticas nem nas pesquisas.
iG: Por que isso acontece?
Anna Helena: Talvez porque, no Brasil, historicamente, houve um esforço em olhar o início da trajetória e depois o ensino médio. Como se a qualidade dos anos finais do fundamental fosse uma decorrência de um bom início. Mas o que a gente observa nos indicadores é justamente o contrário: temos avanços nos anos iniciais e os perdemos nos finais. É difícil dizer por que isso acontece. Essa divisão entre as redes, que ainda não têm um sistema articulado, atrapalha. As redes municipais acabam focando os anos iniciais do fundamental e as estaduais, o ensino médio. O fundamental II não se torna prioridade de nenhuma. Além disso, essa é uma fase muito específica, que traz uma grande mudança na organização da escola. Os alunos deixam de ter um professor, uma referência única, uma rotina, e passam a ter cinco professores ou mais, muitas vezes sem nenhum tipo de orientação. Não é um problema só da rede pública. Essas especificidades não são consideradas.
iG: Se o país não encontrar saídas para solucionar essas dificuldades vai perder as melhorias de aprendizagem que conseguiu com essa geração?
Anna Helena: Eu não tenho dúvida disso. Se não encararmos o desafio de repensar o fundamental II, vamos perder esforços. Não adianta pensar no ensino médio. Há uma evasão muito grande nessa fase, o índice de distorção idade-série é alto, há muitos meninos atrasados e nós sabemos que o aluno em atraso hoje é o que vai abandonar a escola amanhã, porque ele se desmotiva. Há um número enorme de meninos que não chega ao ensino médio.
iG: Quais problemas, além do estranhamento da mudança, marcam essa fase?
Anna Helena: É preciso entender a especificidade dessa faixa etária. É uma fase de transição, em que os alunos começam a procurar mais autonomia, querem protagonismo, sentem que não são mais crianças e precisam ser reconhecidos assim. É um desafio para a escola entender como dialogar com esse jovem, que está inserido num mundo com as novas tecnologias, que tem outro ritmo e, certamente, outras formas de aprender. A escola tem de estabelecer um diálogo com a cultura, o interesse e as necessidades deles. É um grande desafio, mas a gente precisa pensar numa revisão curricular, na reorganização dos tempos e espaços da escola, que são marcados por aulas de 50 minutos, em que um professor entra e outro sai da sala, muda o assunto, não tem conversa. Isso não responde mais às necessidades deles.
iG: Existem soluções possíveis, de curto prazo, para resolver esses problemas?
Anna Helena: A polivalência de professores é uma medida fácil de ser tomada, que eu vejo com bons olhos. Seria o aluno ter o mesmo professor por mais tempo no 6º e no 7º anos e depois ir aumentando a quantidade de docentes. Mas isso demanda assessoria a esse professor, um projeto pedagógico bem feito. Outra coisa seria repensar a organização dos tempos e dos espaços, buscar a interdisciplinaridade por meio de projetos que possam dar um sentido mais comum e articulado. Essa é também uma fase em que os pais se distanciam da escola e a escola não tem o empenho para chamá-los. Pensar uma política para trazer as famílias para perto também é boa. Outra possibilidade é criar maneiras de usar as novas tecnologias como canal de vinculação com o mundo deles, que é de cultura digital.
iG: As avaliações e os processos seletivos têm influenciado de maneira negativa os anos finais do fundamental?
Anna Helena: Tenho observado empiricamente que a preocupação com o vestibular chega cada vez mais cedo. Acho que, no país, acontece uma inversão: nós pautamos o currículo pela avaliação. É um evento perverso, porque deveria ser o contrário. O exame deveria ser feito a partir do currículo que é comum para todos. Isso acaba atrapalhando oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento de habilidades e competências que seriam importantes, como descobrir novas coisas para atuar melhor no mundo e não para passar num exame.
iG: Como temos de lidar com o tema da reprovação, sempre tão controverso, nessa fase? É preciso reprovar nessa etapa?
Anna Helena: Há uma discussão que é anterior a reprovar ou não, que não é feita. De nada adianta você reprovar um aluno se você não acompanha o processo de aprendizagem dele e não toma medidas efetivas para que ele aprenda o que não conseguiu. Do mesmo jeito de que de nada adianta aprovar se também não é feito esse monitoramento da aprendizagem. A reprovação não é um instrumento que possibilite aprendizagem, nem nessa fase nem em nenhuma outra. É importante que eles continuem no curso da escola desde que haja planejamento e ações efetivas para ajudá-lo a aprender o que precisa.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-09-24/anos-finais-do-ensino-fundamental-precisam-ser-repensados-diz-pesquisadora.html

Dependência nas escolas de São Paulo vai sair do projeto Mais Educação

Ideia era que estudantes da rede municipal pudessem levar disciplinas para o ano seguinte para não ter de repetir série


Um dos pontos mais polêmicos do plano Mais Educação, série de medidas apresentadas pela Prefeitura de São Paulo para melhorar o ensino nas escolas da rede municipal, deve ser deixado de lado após o programa ficar aberto a consulta pública. A ideia que “converge” para ser descartada é a que possibilitaria o estudante do ensino fundamental de ficar de dependência de algumas disciplinas no ano seguinte sem precisar passar pela repetência.  
   

        O consenso surgiu após a Secretaria Municipal de Educação analisar, nos últimos 15 dias, as opiniões e críticas que recebeu sobre o Mais Educação. “Seria muito difícil viabilizar a dependência e foi quase unânime (na consulta pública) que seria inútil também carregar uma disciplina para o ano seguinte. Na opinião das pessoas, se algo tiver que ser resolvido em relação a alguma deficiência do aluno, que isto seja solucionado naquele ano mesmo, que o estudante não tenha que carregar nada para o ano seguinte. (...) Todas as opiniões (no governo) convergem para isso”, disse o secretário de educação, Cesar Callegari, ao iG .
Fabiana Carvalho/MEC
César Callegari vai deixar a Secretaria de Educação Básica do
Ministério da Educação até o fim do ano
Na reorganização do ensino fundamental que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou em agosto, a secretaria de Educação vai alterar os ciclos e aumentar a possibilidade de repetência. Atualmente, os alunos podem ficar retidos apenas no 5º ano e no 9º ano. Na nova configuração, haverá três ciclos: de alfabetização (1º ao 3º ano), interdisciplinar (4º ao 6º ano) e autoral (7º ao 9º ano). Ao final do primeiro, segundo e na 7ª, 8ª e 9ª série do terceiro ciclo, aqueles que não aprenderam o mínimo que deveriam podem repetir de ano.
 
Callegari diz que Prefeitura de São Paulo não dará bônus a professores                          

Embora o número de anos em que pode haver retenção tenha sido ampliado de dois para cinco, Callegari respondeu de maneira otimista quando perguntado sobre a possibilidade dos números de reprovados aumentarem depois que o Mais Educação começar a valer. “Não vai ter reprovação, vocês vão ver”, respondeu de forma bem-humorada. As novas diretrizes serão implementadas na rede a partir do ano que vem. Essa é a mais profunda transformação no modelo educacional da cidade desde que o sistema de progressão continuada foi implementado, há 21 anos.

Os três ciclos
           
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, objetivo do primeiro ciclo (1º ao 3º ano) é garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, meta estabelecida também pelo Ministério da Educação através do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.
No segundo (4º ao 6º ano), o aluno passa a ter mais disciplinas, com um professor âncora até o sexto ano, não mais só até o quinto, e outros docentes que orientarão o desenvolvimento de projetos. Segundo Haddad, isso deve diluir o choque da mudança entre o universo do “único professor para o universo de vários professores”, que normalmente ocorre no quinto ano. E, no último (7º ao 9º ano), o aluno passa ater docentes especialistas para todas as disciplinas.
Além de mudanças na organização curricular e de avaliação, o plano Mais Educação inclui promessas de construção de creches , escolas de ensino infantil e 20 novos CEUs (Centro de Educação Unificado), que também se transformarão em polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para oferecer cursos de graduação, especialização e mestrado a distância para professores .

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-09-28/dependencia-nas-escolas-de-sao-paulo-vai-sair-do-projeto-mais-educacao.html

Após 15 anos de queda, taxa de analfabetismo tem leve crescimento, revela Pnad

Índice de analfabetismo do País passou de 8,4% para 8,5% entre 2011 e 2012, segundo a pesquisa anual do IBGE

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos no Brasil registrou um pequeno crescimento entre 2011 e 2012, revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O estudo divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o índice nas cidades brasileiras passou de 8,4% na pesquisa de 2011 para 8,5% em 2012.

Rendimento: Mulheres receberam ainda menos do que os homens em 2012 Trabalho infantil: Exploração do trabalho infantil cai 4,2%, diz Pnad 2012 Crescimento: Número de domicílios no País cresce mais do que a população

De acordo com o IBGE, a série foi harmonizada sem contar os habitantes das zonas rurais da região Norte, já que a pesquisa não atingiu essas áreas em todos os anos. A última vez que a Pnad havia registrado crescimento no índice foi em 1997, quando o índice de 14,7% também foi 0,01 ponto percentual maior que o ano anterior.             

 
 A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, disse que o fenômeno precisa ser estudado. O aumento ocorreu nas regiões Nordeste (16,9% para 17,4%) e Centro-Oeste (6,3% para 6,7%), entre as pessoas de 40 a 59 anos, que passou de 9,6% para 9,8%, e influenciou a estabilidade da taxa.“As taxas de analfabetismo entre as populações mais velhas são muito altas, cerca de 30%, enquanto entre a população mais jovem são pequenas. A população vai se escolarizando, a tendência é que o analfabetismo caia. Então, ante a estabilidade ou elevação de 0,1 ponto percentual, precisamos entender melhor o que aconteceu”, comentou ela.
O Nordeste concentrava, em 2012, 54% dos analfabetos de 15 anos ou mais de idade. Entretanto, nos últimos oito anos, foi no Nordeste onde a queda foi mais elevada (de 22,5% para 14,4%). Entre 2011 e 2012, o percentual caiu nas regiões Sul (4,9% para 4,4%) e Norte (10,2% para 10%).
O analfabetismo funcional, que reúne as pessoas com até quatro anos de estudo, entre a população de 15 anos ou mais de idade, caiu de 20,4% para 18,3%. Entre os maiores de 25 anos, o percentual caiu de 15,1% para 11,9% de 2011 para 2012, um contingente de 3,4 milhões de pessoas. Os maiores índices de analfabetos funcionais estão no Norte e no Nordeste, mas o contingente diminuiu em todos os Estados, com destaque para a região Norte que teve redução de 3,4 pontos percentuais.
A Pnad revelou ainda que a taxa de escolarização das crianças e adolescentes foi de 98,2%, mesmo percentual verificado em 2011. Para os jovens de 15 a 17 anos de idade, o percentual dos que frequentavam escola foi de 84,2%, proporção superior à observada em 2011 (83,7%).
Na comparação entre 2011 e 2012, houve aumento do percentual daqueles que possuíam nível fundamental incompleto ou equivalente, de 31,5% para 33,5%. Por outro lado, diminuiu a proporção das pessoas sem instrução e com menos de 1 ano de estudo de 15,1% para 11,9% no mesmo período. O percentual de pessoas com nível superior completo aumentou de 11,4%, em 2011, para 12,0%, em 2012. Assim, em 2012, havia 14,2 milhões de pessoas com nível superior completo, 6,5% a mais que em 2011.

Outros anos:
Pnad 2011: Mulheres já são mais de 100 milhões no Brasil, revela Pnad Pnad 2009: Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população 
                          
População
Em 2012, a população residente estimada no Brasil foi de 196,9 milhões de
pessoas, representando um crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior, ou seja, de 1,6 milhão de pessoas. Analisando a população por faixa etária, em 2012, 63,2% tinha até 39 anos de idade e as pessoas com 60 anos ou mais de idade representavam 12,6% da população (em 2011, correspondia a 12,1%).
Em 2012, com relação à declaração de cor ou raça, a maior parcela observada
(46,2%) da população residente, 91 milhões de pessoas, era branca; 45,0%
parda (88,6 milhões) e 7,9% preta (15,6 milhões). O grupo formado pelas outras
declarações (indígena e amarela) representou 0,8% (1,6 milhão).

Residências
Em 2012, dos 62,8 milhões de domicílios particulares permanentes, 53,6 milhões eram beneficiados por rede geral de abastecimento de água. Em valores absolutos, o crescimento resultou em mais 1,8 milhão de unidades atendidas. O número de domicílios atendidos por coleta de lixo passou de 54,4 milhões para 55,8 milhões de unidades no Brasil, representando, em termos relativos, 88,8% do total de domicílios pesquisados em 2012, mantida a mesma participação apurada em 2011.
A participação dos domicílios que dispunham dos serviços de rede coletora de
esgoto, de 2011 para 2012, cresceu 2,1 pontos percentuais, atingindo 57,1% do
total de domicílios investigados. De 2011 para 2012, a proporção de domicílios que possuíam iluminação elétrica passou de 99,3% para 99,5% do total de domicílios investigados no País (62,5 milhões de unidades domiciliares atendidas).
Em 2012, o percentual de domicílios em que ao menos um morador possuía carro ou motocicleta para uso pessoal foi de 42,4% (26,7 milhões de unidades) e 20% (12,6 milhões de unidades), respectivamente. Em 2011, esses percentuais foram 40,9% e 19,1%, nesta ordem.
Em 2012, foram contabilizados, no País, 122,7 milhões de pessoas com 10 anos
ou mais de idade que possuíam telefone móvel celular para uso pessoal. Esse
contingente de usuários cresceu 6,3% em relação a 2011, o equivalente a 7,2
milhões de pessoas.
O número de domicílios com algum tipo de telefone seguiu a tendência dos últimos anos e, de 2011 para 2012, apresentou crescimento de 4,1%, ou seja, 2,2 milhões de novos domicílios com acesso a esse serviço no País. Após este avanço, a pesquisa mostrou que 91,2% dos domicílios pesquisados possuíam algum tipo de serviço de telefonia.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-09-27/apos-15-anos-de-queda-taxa-de-analfabetismo-tem-leve-crescimento-revela-pnad.html

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Empresários ensinam: é possível ter independência financeira na adolescência

Empreendedores conseguiram os primeiros trocados antes dos 18 anos

Após ver a firma do pai quebrar, o adolescente Kauê Linden decidiu empreender por conta própria. Foi emancipado aos 17 anos para abrir sua empresa, reformou o quarto de empregada de casa e fundou ali a Hostnet, uma provedora de serviços de internet, hoje com 40 mil clientes e uma sede instalada no Rio de Janeiro.
Aos 14 anos, antes mesmo de ser um empresário precoce, ele já ganhava uns trocados trabalhando com o pai, arrumando computadores e organizando eventos esportivos na web. Aos 18, Linden bancava as próprias despesas e, um ano depois, saiu de casa. Foi quando começou a ajudar os pais financeiramente, além do auto sustento. “Como todo jovem, tive um impulso consumista quando comecei a ganhar dinheiro. Gastei bastante com viagens, passeei de helicóptero e ainda pagava aluguel”, conta. Em pouco tempo, porém, ele percebeu que deveria se educar financeiramente e começar a acumular patrimônio.
O jovem abriu uma empresa de publicidade com um sócio, diversificou o capital em fundos imobiliários e investiu em uma carteira de ações com 20 companhias. Hoje, aos 30 anos, tem um imóvel quitado e não possui dívidas.
Se tivesse seguido uma carreira corporativa, Linden acredita que não teria conquistado esse patrimônio tão rápido. “Carteira de trabalho é sinônimo de escravidão. Você só consegue antecipar a liberdade financeira se empreender”, diz ele, que iniciou seu negócio antes de a bolha da internet estourar, nos anos 2000.

O caminho da emancipação
 
Pelo exemplo de Linden, empreender pode ser uma das vias mais curtas rumo à independência financeira. Ao contrário da chamada “geração canguru” – adultos que vivem sob as asas dos pais – ele está na contramão de estatísticas que apontam uma tendência de emancipação cada vez mais tardia.
Existem 3 milhões de famílias no Brasil, das classes média e alta, sustentando filhos acima de 30 anos, das classes média e alta, de acordo com o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em 2012.
O jovem se torna independente quando é capaz de cobrir seus gastos fixos, semifixos e variáveis, explica a consultora financeira Suyen Miranda. “Significa que a pessoa não depende mais de terceiros para pagar as contas”.
Aluguel, condomínio e prestações de financiamentos entram na planilha das despesas fixas, enquanto contas de energia, telefone e água, por exemplo, ficam mais caras ou baratas conforme o uso. Já os gastos variáveis incluem lazer, alimentação e transporte (abaixo, veja como fazer a simulação de seus gastos).

Fabricando o próprio dinheiro
 
A veia empreendedora também foi o caminho para Matt Montenegro tornar-se independente ainda cedo. Ele ingressou no grupo de 1,5 milhão de empresários entre 16 e 24 anos existentes no Brasil, segundo o Data Popular. Aos 18 anos, ele gerava todo o dinheiro que precisava para viver e ajudava os pais nas despesas de casa.

 
 
Matt Montenegro: faturava R$ 100 por dia com a venda de balas para colegas da escola
Fundador do beved.com.br – um marketplace de aulas presenciais e online –, Montenegro começou a empreender ainda na escola, em 2003, vendando os pedaços de pizza Hut que sobravam da refeição dos pais no domingo à noite.
Montenegro ampliou a venda de balas e doces nos intervalos da aula, até que seus pais foram chamados pela diretoria. A concorrência do filho estava incomodando os donos da lanchonete da escola. Propôs um acordo para vender produtos diferentes dos da cantina, e seguiu com o negócio. Chegou a faturar R$ 100 por dia e contratou um colega para ajudar nas vendas.
Ao fim do colégio, abriu uma loja de camisetas e trabalhou em startups, onde teve inspiração para atuar no ramo de tecnologia. Entre 2008 e 2009, Montenegro abriu um site com ofertas de aluguel de apartamentos, similar ao AirBnb.
O rapaz mudou o foco do negócio para a área de educação, quando lançou o beved.com.br em julho de 2012, com a ideia de possibilitar o ensino por demanda. Em janeiro, o site entrou no azul com 13 mil usuários cadastrados e gerou faturamento de R$ 90 mil, em sete meses, apenas para um professor de design que oferece suas aulas na plataforma.
Para Montenegro, o apoio dos pais para empreender foi fundamental para conquistar a independência ainda cedo. “Começou mais como um desafio cheio de adrenalina e satisfação do que uma lista de obrigações, somado ao instinto de sobrevivência”, conta.

Como incentivar a independência
 
Os pais podem incentivar a emancipação precoce dos filhos ainda no berço. Um dos caminhos é investir em previdência privada ou montar uma poupança desde o nascimento, segundo a consultora Suyen. “Ao longo de 18 anos, valores mensais de R$ 50 podem resultar em um bom patrimônio”.
O dinheiro da previdência costuma ser usado para presentear a prole com um carro ou casa, além de pagar a universidade ou um curso no exterior. Mas se o objetivo for fazer o filho fabricar o próprio dinheiro, observa a especialista, a dica é usar essa capital para a abertura da empresa do jovem.
Alguns possuem propensão natural para a independência, que costuma despertar por volta dos 12 anos. “A criança ou adolescente pode oferecer serviços que saiba fazer bem, como aulas de reforço, lavagem de carros, informática ou venda de bijuterias”, exemplifica.
Os pais têm condições de ajudar nesse processo, explica Suyen, orientando o jovem sobre quanto cobrar pelo serviço e como conseguir clientela.
Na opinião da especialista, a emancipação tardia de jovens adultos é mais um traço cultural do brasileiro do que financeiro. “Muitos pais não querem que os filhos sejam independentes. Nossa cultura não estimula o jovem a viver sozinho”.

Na ponta do lápis
 
Para descobrir se é o momento ideal de tornar-se independente dos pais ou tutores, faça uma simulação da soma de todas as despesas que você teria se saísse hoje de casa, conforme o padrão de vida escolhido:
Gastos fixos
Aluguel, condomínio, dívidas, assinatura de TV a cabo, internet e prestações de financiamento.
Gastos variáveis
Conta de luz, telefone, água, gás.
Gastos variáveis
Cinema, restaurantes, roupas, transporte, educação e outros.
Fonte: Suyen Miranda

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

“Educação vem de casa, mas se não vier vou dar na escola”, diz professor e autor

Prestigiado pelos alunos e reconhecido até no exterior, jovem professor mostra que briga por mais salário e condições pode estar ao lado da luta por garantia do direito do aluno

Nascido e criado na zona leste de São Paulo, Rodrigo Ciríaco, 31 anos, se formou em História na Universidade de São Paulo (USP) e foi trabalhar no lugar em que cresceu. Dá aulas de história na escola estadual Jornalista Francisco Mesquita e criou um grupo de estudo de literatura chamado Sarau dos Mesquiteiros, com apresentações que reúnem cada vez mais público. Paralelamente publicou os livros “Te pego lá fora” e “100 mágoas”, em que muitas histórias são inspiradas no cotidiano escolar.
Em março viajou para Itália, Bélgica e França como convidado de editora francesa que traduziu parte do seu trabalho. No mês seguinte, estava nas ruas de São Paulo entre os professores grevistas reclamando da desvalorização da carreira. Não ficou contente com o fim das paralisações e conta que, apesar da vocação, pode deixar de ser educador por questões financeiras. Ainda assim, enquanto está na escola, faz um trabalho elogiado. Leia a entrevista:
 
Arquivo pessoal
O professor Rodrigo Ciríaco durante uma
apresentação do Sarau dos Mesquiteiros

iG: Como vê a remuneração dos professores?

 Rodrigo Ciríaco: A questão salarial é um grande problema mesmo. Por exemplo, eu estou com dois cargos. Acho que o melhor é ter 40 horas em uma única escola, 25 horas em sala e o restante no preparo e ganhando um salário decente. Mas tive que somar dois cargos. Tenho 32 horas na Prefeitura e mais 10 horas no Estado e agora estou pensando muito no momento se vou continuar no Estado. Apesar dos projetos, estou pensando em fazer outra atividade que tenha remuneração mais adequada. Até pelo fato de eu ter viajado, por escrever, eu sinto que sou um profissional qualificado, que tenho um valor, mas não recebo isso.
 
iG: A questão financeira atrapalha o trabalho dos professores?

 Ciríaco: Também é um problema de falta de atrativo. A partir do momento que você dá, você pode exigir mais e mais. Não dá para pensar no discurso do Cid (Gomes, governador do Ceará, que declarou que professor deve trabalhar por amor). Todo trabalho digno merece ser remunerado. Morei na zona leste a vida toda, depois mudei para o Ipiranga para ficar um pouco mais perto da USP durante a faculdade. Agora que constitui família financiei via Minha Casa, Minha Vida e volto para o bairro, vou morar atrás da escola (Francisco Mesquita). Não tenho visão de padrão de vida, não quero um carro novo. Mas estou fazendo uma pós na Arte de Contar Histórias e um curso de especialização em Design Gráfico e Editoração, estou tentando me qualificar porque infelizmente não sei se posso continuar sustentando minha família sendo professor.

Devia ter uma fiscalização eficaz sobre nós funcionários da educação. Porque existe sim parâmetros legais para que pessoas que não cumprem com seu trabalho possam ser advertidas, punidas
 

iG: O que acha do bônus para professores?

 Ciríaco: O que se usa hoje de critério para o bônus pode ser manipulado. Já está claro. Além disso gera uma divisão entre grupos de professores e também influencia a própria ideia do que vai ser trabalhado na escola, o que já é um desvio.
 
iG: Gestão democrática ajudaria?

 Ciríaco: A minha visão de democracia respeita o direito à educação de qualidade do aluno. Tem muita escola que tem APM (Associação de Pais e Mestres), Conselho Escolar e na verdade todos seguem a linha da direção. Sou favorável que houvesse eleição direta para a escola. A gente tem um problema muito grave de diretores que são nomeados, apresentam vários problemas na atuação, mas têm proteção por serem ligados ao dirigente. Eu mesmo já tive no passado problemas e denuncias são barradas. Em vez de investigar dizem que tem que conversar e ‘vamos promover a cultura da paz’, mas eu buscava o direito do aluno violado. Se não vai ter eleição, devia ter uma fiscalização eficaz sobre nós funcionários da educação. Porque existe sim parâmetros legais para que pessoas que não cumprem com seu trabalho possam ser advertidas e punidas. Tem uma outra diretora com quem estou trabalhando que faz uso do sistema. Não precisa aceitar profissionais que não fazem um bom trabalho. Falta impessoalidade. Não existe esse regime de legalidade.
 
Arquivo pessoal
Tatuagem no braço direito do educador

iG: Recebemos muitos comentários de professores que dizem ter desistido de dar boas aulas devido às condições de trabalho, como avalia esta situação?
           
Ciríaco: Não acho certo. Independente do salário tem que fazer o melhor. Por outro lado consigo entender os colegas. Porque na maior parte das vezes as pessoas foram absolutamente frustradas pela falta de reconhecimento e de estrutura. Nós temos muito problemas relacionados à saúde. Isso não é reconhecido e não tem a atenção devida. Servidores públicos de educação, saúde e segurança deveriam ter mais atenção à saúde mental. Muitas vezes são pessoas que precisam de ajuda por conta da falta de perspectiva, de orientação e ajuda.

iG: Já se sentiu assim?

 Ciríaco: Eu fui buscar esse apoio, faço terapia, quando dá porque é muito caro. Foi uma opção dolorosa pra mim. Eu ganhava R$ 7,50 a hora aula e tinha que dar 10 horas aula para fazer uma hora de terapia. Me perguntei quanto vale minha saúde mental e fiz. O governo e a sociedade precisam ter um olhar para os profissionais que trabalham em área mais delicada. Na saúde e na segurança, o que é até mais grave, também tem gente que deixa de atender se não tem estabilidade. Isso pode matar alguém.

iG: Diante de tantos problemas, como encontra forças para fazer seu trabalho e ainda projetos adicionais de educação?

 Ciríaco: Acho que em primeiro lugar é encarar assim: alguém tem que fazer. Aceitei isso como meu ofício. Outra coisa é ter projetos. Se não tivesse os Mesquiteiros não teria força para continuar. Hoje tenho um reconhecimento recente, há 5 anos eu não tinha isso, então o que me dava força eram os projetos, porque vejo resultado. Por mais que me consuma mais tempo, energia, recursos financeiros e de outras ordens tem uma recompensa pessoal porque sempre gostei de artes, cultura, de estar bem próximo a eles.

Quando um aluno diz que a mãe não vai poder conversar, eu respondo: Fala para sua mãe que é para falar da coisa mais importante que ela tem na vida, que é o filho dela, e da coisa mais importante para o filho dela, que é a educação”
 

iG: Qual o papel da sociedade na escola?

 Ciríaco: Acredito que a sociedade tem um papel fundamental. As pessoas precisam entender e exercer o poder da comunidade na escola, por mais que trabalhem, tenham compromisso. Quando eu falo para um aluno pedir para o pai vir, às vezes ele já diz que a mãe não tem tempo. Eu respondo: Fala para sua mãe que é para falar da coisa mais importante que ela tem na vida, que é o filho dela, e da coisa mais importante para o filho dela, que é a educação. Pais precisam acompanhar o dia-a-dia, pegar um caderno, perguntar quantas aulas teve. Nós, os professores, estamos apenas uma parte do tempo com esse jovem.
 
iG: Educação tem que vir de casa?

 Ciríaco: Acho que vem de casa, mas se não vier vou dar na escola. Entendo que essa poderia ser a obrigação dos pais, mas cabe ao professor corrigir quando não vem. A função dele não é apenas encher o aluno de conteúdo, mas situá-lo na relação que vai ter com outras pessoas, ensinar tolerância, respeito a diversidades cultural, religiosa. A escola é o primeiro espaço público de convivência que essa criança tem. Esperar que venha pronto de casa é esperar demais. O professor é educador, uma complexão maior.

iG: E o professor que vê uma situação impossível?

 Ciríaco: Acho que se o professor acha impossível, precisa fazer outra coisa. O educador precisa acreditar que nada é impossível. A gente precisa mesmo ter paciência além do normal, tolerância além do religioso, do comum. Difícil é. Se já desistiu, não tem como ter resultado nenhum. Se eu faço, pode ser que consiga ou não: 50% de chance. Se não faço é 100% de certeza que o aluno não aprende. Muitas apostas que fiz deram errado e outras deram certo. O diálogo é a forma mais honesta. Tentar se conquistar, entender as razões do aluno e mostrar a ele as minhas, com diálogo e respeito. Muitas vezes o que a gente fala não é o que o outro ouve e, muito menos, entende. Ganhar um aluno, principalmente dentro da escola, não é fácil. Nem sempre vai ser possível, mas sempre vai ter que tentar.

iG: E como lidar com os casos de violência?

 Ciríaco: Sempre tem violência. As pessoas talvez pensem que a escola está protegida, mas ela é reflexo da sociedade. Até que a violência dentro dela é menor. Tem situações de violência, sim. Momentos de conflito vão acontecer, é inerente às relações humanas. O problema é a forma como vamos resolver. Ignorar pode levar para uma situação maior. Nada começa grande. É muito raro o aluno do nada agredir professor. Qual a história dele com a escola?

iG: Ser pai alterou sua vida?

 Ciríaco: Na minha vida mudou tudo, tenho AM e PM, antes de Malu e Pós Malu. Pra mim veio um pensamento bom de que estava no caminho certo porque o que faço pelos alunos é o mesmo que quero para minha filha. São coisas diferentes, agora estou em outro papel, mas quero o mesmo para ela e eles.

iG: As viagens que fez mudaram sua perspectiva?

 Ciríaco: Enquanto educador virei uma referência positiva para os alunos verem que estudar pode ser legal, coloquei provocações no Facebook como “Estudar não leva você a lugar nenhum” e a lista de lugares que estava visitando como convidado.

iG: Por que tatuou “O estudo é o escudo”?

Ciríaco: Tava ensaiando há dois anos, fiz em 8 de fevereiro. Primeiro tatuei o nome da minha filha antes de ela nascer. Aí quis fazer uma que falasse da minha vida e uma coisa que é muito importante para mim. Essa frase do Gog diz muita coisa. Minha filha nasceu em um parto com complicações e só consegui fazer com que tivesse o atendimento certo porque usei meus conhecimentos. Salvei minha filha. E tudo que tenho, pode ser um imóvel financiado em 25 anos, realizei pelo estudo.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-06-15/educacao-vem-de-casa-mas-se-nao-vier-vou-dar-na-escola-diz-professor-e-autor.html

Pais de alunos de escola pública acompanham mais dever de casa

Entre alunos do 9º ano do ensino fundamental, 33,4% disseram que pais acompanham, enquanto na rede particular índice é de 26,8%

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) do IBGE com os ministérios da Saúde e da Educação mostra que, para os estudantes, os pais de alunos da rede pública estão mais atentos ao dever de casa do que os com filhos na rede particular. A consulta foi feita a 109 mil adolescentes de 13 a 16 anos de idade que estavam em 2012 no último ano do ensino fundamental.
            
O hábito dos pais ou responsáveis de verificar os deveres de casa dos escolares foi investigado porque a participação da família é considerada por especialistas como saudável para crianças e adolescentes. Do total, 32,3% responderam que um adulto da família acompanhava seus deveres de casa, mas ao contrário da maioria dos dados o porcentual sofre boa alteração quando separados os sistemas público, em que 33,4% responderam ter acompanhamento, do particular, em que o porcentual cai para 26,8%.

A região que tem a sensação de ser mais monitorada pelos responsáveis é a Nordeste (37,7%) e a menos, Sudeste (29,9%). O dado chama atenção especialmente por mostrar, do ângulo dos alunos, a participação de pais que é comumente criticada por professores por ser pequena.


FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-06-19/pais-de-alunos-de-escola-publica-acompanham-mais-dever-de-casa.html

Em SP só metade dos pais diz que escola particular é “influência positiva”

Em outras capitais cerca de 90% dos familiares responderam sim a item da pesquisa feita apenas na rede particular

Pesquisa feita apenas com escolas particulares mostra que a percepção de pais em São Paulo é diferente da que têm os de Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belo Horizonte. Na consulta, 10.028 pais responderam questionários que incluíam concordar ou não com a afirmação “a escola exerce influência positiva na vida do meu filho”. Enquanto nas demais capitais, o “sim” foi escolhido por cerca de 90% dos familiares, em São Paulo apenas 57% foram afirmativos.
NYT
Pesquisa também ouviu alunos que dizem ter apoio dos pais
pela educação escolar

Os pais que mais concordaram foram os de Salvador, com 92%, seguidos do Recife, com 91%, depois Belo Horizonte (87%) e Rio de Janeiro (86%). Além de responder "não" era possível deixar a questão em branco, opção que foi escolhida por 41% dos pais em São Paulo. “Não havia alternativa mais ou menos ou não sei. Queríamos mesmo que a pessoa escolhesse sim ou não, mas em São Paulo, os pais parecem menos à vontade em afirmar uma das duas hipóteses”, explica Juliana Miranda, gerente da avaliação docente da Avalia, assessoria educacional e institudo de pesquisas do grupo Moderna.
Em uma outra afirmação, “sinto que meu filho fica em segurança na escola”, novamente os pais de São Paulo foram os que menos concordaram, repetindo os indices de 57% com “sim”, 2% com “não” e 41% em branco. Novamente as outras capitais tiveram cerca de 90% de “sim”.
A pesquisadora afirma que não se trata de ter deixado o questionário em branco. “Consideramos apenas famílias que responderam à pesquisa, foram apenas estes itens que foram deixados sem resposta.”            
A rede particular paulista tem, de forma geral, os melhores indicadores do País em avaliações padronizadas . Também é a mais extensa motivo pelo qual, das 54 escolas pesquisadas, 28 ficam em São Paulo.

Alunos e professores
           
A pesquisa também ouviu os estudantes e educadores. Entre os alunos, houve respostas que demonstram acompanhamento dos pais em relação aos estudos, à lição de casa e frequência escolar. Em todas as cidades, neste caso, o público da rede particular disse que a família apoia os estudos.
Aos professores, entre as perguntas, foi questionado se lecionava em disciplina da área de formação. No Recife, 8% disseram que não. Em Salvador, 6%; em São Paulo, 5%; no Rio de Janeiro, 3%; e, em Belo Horizonte, 2%. Também no Recife apareceu o pior dado sobre professores que atuam ao mesmo tempo em várias escolas. Na capital de Pernambuco, 41% disseram atuar em mais de duas escolas, enquanto a média no Brasil foi de 15% para este item.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-08-19/em-sp-so-metade-dos-pais-diz-que-escola-particular-e-influencia-positiva.html

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Distração de adolescentes pode ter explicação neurobiológica

A falta de atenção típica da fase pode ser causada por fatores biológicos. Mas especialistas afirmam que esta não é a única razão



Getty Images
Adolescentes nem sempre são capazes de se concentrar:
condição neurológica e preguiça se confundem
 
 
A cena é comum: você abre a porta de casa e seu filho adolescente, que deveria estudar para a prova de geografia, deixou os livros em cima da mesa e foi brincar com o irmãozinho ou zapear entre os canais de televisão. Você o chama de relaxado, o lembra de que é mais importante e invariavelmente ele diz que não consegue se concentrar. Você pode até achá-lo irresponsável, mas uma recente pesquisa britânica revela que, dependendo do caso, a neurobiologia também pode explicar o problema.

Realizado pelo Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London (UCL), da Universidade de Londres, na Inglaterra, o estudo publicado no Jornal da Sociedade de Neurociência indicou que o cérebro dos adolescentes está estruturalmente mais parecido ao das crianças do que ao dos adultos. “Não é sempre fácil para os adolescentes prestarem atenção às aulas, por exemplo, sem deixarem a mente divagar. Mas isso não acontece por culpa deles”, afirmou o Dr. Iroise Dumontheil, um dos autores da pesquisa, ao site do jornal britânico The Guardian.

Juntamente à equipe de pesquisa, ele monitorou, por meio da ressonância magnética, as atividades cerebrais de um grupo de adolescentes enquanto tentavam resolver um problema matemático. No entanto, a região do cérebro chamada de córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e também pela realização de diferentes tarefas ao mesmo tempo, entre outros encargos, apresentava um nível inesperado de atividades, indicando que o cérebro estava sendo menos eficaz que o de um adulto e atuando de maneira caótica.

Ainda de acordo com o The Guardian, a Dr. Sarah-Jayne Blakemore, líder do estudo, afirmou que a grande quantidade de substância cinzenta – corpos celulares que carregam mensagens dentro do cérebro – é a principal razão para tal movimentação no cérebro. À medida que envelhecemos, esta quantidade diminui. Mas para a psicóloga Carolina Nikaedo, especialista em adolescentes da Clínica EDAC - Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico, em São Paulo, são vários os fatores que devem ser considerados para justificar a falta de atenção.

Tudo ao mesmo tempo
       
Segundo a especialista, a região frontal do cérebro também tem uma participação muito ativa no que é chamado de capacidade de controle inibitório, que nos ajuda a focar a atenção numa palestra ou numa aula, por exemplo, e inibir outros estímulos, como pessoas conversando ou o barulho de um ventilador. “Por ser esta uma região que se desenvolve por um grande período após o nascimento, não é que a criança ou o adolescente não preste atenção em nada, mas sim pode estar prestando atenção em tudo ao mesmo tempo”, explica.

Esta habilidade – ou a falta dela – explica também o envolvimento emocional que possuímos com uma determinada atividade, independentemente de sermos adolescentes ou adultos. “Se jogar videogame gera mais prazer a um indivíduo, ele estará liberando as substâncias desta sensação, que facilita o funcionamento da região do córtex pré-frontal do cérebro e consequentemente a inibição de outros estímulos”, revela. Portanto, se os estudos não atraem tanto o adolescente, será comum deixar os livros sempre para depois.

Mas de acordo com Geraldo Possendoro, psiquiatra, psicoterapeuta e mestre em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), é preciso lembrar que o processo de desenvolvimento da atenção é muito mais complexo do que imaginamos. E os aspectos neurobiológicos inclusos neste processo ainda não são inteiramente conhecidos: “até então não há certeza absoluta sobre as estruturas cerebrais de um adolescente, se já estão maduras e se as atividades já estão sendo realizadas de forma completamente adequada”.

Na opinião do especialista, embora a estrutura que torna alguém capaz de prestar atenção ainda não esteja completamente desenvolvida, na adolescência ela está prestes a chegar ao fim. Mas há variações neste desenvolvimento: “as pessoas possuem ritmos diferentes, então algumas amadurecem este mecanismo mais cedo, outras mais tarde”. Mas segundo ele, também há uma terceira justificativa para a falta de atenção que não corresponde ao processo atencional ou à irresponsabilidade: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Transtorno ou preguiça?

        
Nas pessoas com TDAH, a liberação de neurotransmissores relacionados à atenção é desregulada. Isso dificulta, entre outros aspectos, a concentração. Segundo Possendoro, a primeira suspeita acerca de uma criança com TDAH costuma ser feita na escola, onde os professores observam o comportamento dos alunos diariamente. “Mas 60% destas crianças acabam melhorando espontaneamente quando chegam à adolescência”, revela ele, que ainda afirma que, para diagnosticar o transtorno, muitos critérios devem ser analisados.

No entanto, Nikaedo lembra que os pais devem ficar atentos à irresponsabilidade e à preguiça dos adolescentes. “Este tipo de informação sobre as questões de neurodesenvolvimento se tornou acessível, então eles podem acabar colocando a culpa no cérebro, como se não tivessem controle”, explica a especialista. É preciso estar atento para não deixar que tal desculpa explique o problema sem que seja propriamente avaliada, mas também não deve ser ignorada como se o TDAH fosse apenas uma moda da modernidade.

Tecnologia 24 horas
       
Toda a tecnologia envolvida na vida atual traz um constante incentivo para que os adolescentes tenham sua atenção dividida, e não concentrada. Mas culpar somente a tecnologia não é a solução. “Se o meio exige do cérebro cada vez mais uma atenção dividida, com a televisão, o rádio, a internet 24 horas, as crianças se predispõem a isso desde cedo”, avalia Possendoro.

Para Nikaedo, a tecnologia pode colaborar para o desenvolvimento da criança, mas as escolas precisam saber como utilizá-la. “Um adolescente que tem tudo dentro de casa pode acabar se entediando quando chega à sala de aula e senta numa cadeira dura para ficar prestando atenção somente ao professor”, completa a especialista.

A solução, para Possendoro, é que as escolas passem a estimular a atenção focada, a capacidade de concentração das crianças. E em casa isso também pode acontecer: “é preciso proporcionar momentos cotidianos para que elas se foquem, seja conversando com os pais ou lendo um livro ao invés de estarem com milhares de janelas abertas na internet, falando com os amigos no MSN e assistindo TV ao mesmo tempo”.

Outra possibilidade é dividir o tempo de estudo em períodos menores também pode colaborar para o maior desempenho. “Se você sentar e estudar por cinco horas seguidas, por exemplo, provavelmente três horas serão improdutivas”, diz Nikaedo. Então ela indica que a presença de intervalos a cada 45 minutos, por exemplo, pode tornar este período mais produtivo quando o cérebro ganha momentos de descanso.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/distracao+de+adolescentes+pode+ter+explicacao+neurobiologica/n1237666271627.html

OS DESAFIOS DA ADOLESCÊNCIA

Como tratar assuntos como sexo, drogas, vida escolar e profissão? Especialistas e mães compartilham orientações e experiências


Alexandre Carvalho/Fotoarena
Mariângela e o filho João, de 15 anos:
acompanhamento e caronas para as festinhas
 
Depois de noites maldormidas porque seu filho queria mamar ou fez xixi na cama, chega a adolescência e os motivos das noites maldormidas são substituídos: preocupar-se com o paradeiro dele ou buscá-lo em festinhas durante a madrugada são alguns. Pelo menos é o que a agente de viagens Mariângela Pinto Ferreira, de 50 anos, faz atualmente por seu filho João, de 15: ela prefere levá-lo e buscá-lo nas festas para, entre outros motivos, estar mais próxima a ele. Esta proximidade, nesta fase, é mais necessária do que alguns pais podem imaginar. E deve estar permeada de conversas e esclarecimentos.

As alterações físicas e comportamentais da adolescência aumentam as possibilidades de conflitos entre pais e filhos dentro de casa e, além disso, podem deixar os pais tão preocupados a ponto de não saberem como agir. Com a exposição e proximidade dos adolescentes ao sexo e às drogas, circunstâncias que amedrontam a maioria dos pais, além das diversas dificuldades potenciais do ambiente escolar e das relações sociais, orientar e educar os filhos já jovens parece um trabalho ainda mais árduo do que criá-lo através da infância. Mas não é. Um dos princípios a serem seguidos é o exemplificado por Mariângela: estar realmente ao lado.

Segundo o médico hebiatra Maurício de Souza Lima, vice-presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, conversar com naturalidade, mesmo sobre assuntos desconfortáveis, é uma das principais atitudes que os pais devem tomar nesta fase da vida do filho. “Muitos pais têm dificuldades com isso, mas é o melhor caminho para ter êxito na criação”, diz. Mas nada de chamar o filho de canto para tratar de “assuntos sérios”. À medida que a criança vai crescendo, os assuntos devem ser naturalmente inseridos na conversa por meio da televisão, das revistas, até mesmo dos vizinhos. De acordo com o médico, aproveitar as informações para emitir opiniões ao filho, mesmo que ele só escute, já é um grande passo.

Para o psicólogo especialista em adolescentes Caio Feijó, estar bem informado sobre a maioria dos assuntos é essencial. “Nas questões relativas a sexo e drogas, por exemplo, pais não tão informados quanto os filhos não conseguem se comunicar”, afirma. Autor dos livros “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (Novo Século Editora) e “Educando Filhos e Alunos (Histórias de Sucesso)” (Ajir Editora), entre outros, ele conta que, sabendo mais que os filhos, os pais ganham o respeito e o interesse dos menores pelos conselhos.

Vamos falar de sexo?


Para a dona de casa Joanisa de Campos Leite Ascava, 51 anos, falar com os seis filhos – Lívia, Caio, Daniel, Luisa, Arthur e Letícia – sobre sexo durante a adolescência não foi algo simples. Por medo de que eles abreviassem a vida sem preocupações típica da fase e tivessem que assumir um filho antes da hora, ela sempre reforçou que, caso isso acontecesse, os filhos assumiriam toda a responsabilidade e a juventude deles chegaria ao fim. Mesmo assim, Joanisa nunca chegou a falar às filhas sobre como evitar uma gravidez: “Na minha cabeça isso não é possível. Não poderia dizer às minhas filhas que não se esquecessem de tomar a pílula, por exemplo”.

Enquanto alertava os filhos para terem cuidado, Joanisa confiava no imenso leque de informações sobre o assunto que eles teriam na escola e presenteou os filhos com livros a respeito do tema. “Os adolescentes vão procurar informações, por curiosidade, fora da escola e de casa. Mas se os pais puderem acrescentar cada vez mais detalhes, conforme percebem que o filho já tem a maturidade necessária para entender, mais fácil será evitar dilemas no futuro”, afirma Caio.

De acordo com Kátia Teixeira, psicóloga especialista em adolescência da Clínica EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico), de São Paulo, ao mesmo tempo em que a sexualidade está exposta abertamente, muitos pais acreditam que falar abertamente sobre o assunto dá aos filhos uma sensação de liberdade para fazer o que quiserem. É uma falsa impressão. “Os pais precisam entender que evitar falar sobre sexo não significa que os filhos não terão contato com o tema”, diz. Conversar a respeito, por outro lado, possibilita ao jovem uma tomada de decisão mais consciente.

Os pais devem enfatizar a necessidade do uso de preservativos sempre: “É preciso informá-los que não é porque o adolescente transou três vezes com uma mesma pessoa que não é mais preciso se proteger”, reforça o hebiatra Mauricio.

Drogas: você fumou maconha, filho?


            
De acordo com o psicólogo Caio, as drogas costumam estar muito mais presentes na vida dos filhos do que os pais imaginam. “É uma ideia equivocada não falar sobre o assunto e acreditar que eles não entram em contato”, diz. “Parece que os adolescentes não veem nada de mal nisso, tanto como em usar maconha como usar outras drogas que entram no circuito deles”, reforça Mauricio.

A maconha costuma ser a primeira droga ilícita a surgir na vida de um adolescente e, segundo estudo norte-americano, quanto mais cedo for usada, maiores as chances dos jovens terem as funções cerebrais danificadas. Os pais, portanto, devem estar sempre atentos ao comportamento que o filho apresenta. “Eles precisam entender como o filho é, como ele se constituiu. Só assim vão perceber caso as características mudem”, afirma Kátia. Joanisa percebeu quando um de seus filhos estava fumando maconha: “Eu descobri depois de reparar que ele tinha mudado algumas atitudes comuns dele, como a maneira de se vestir”.

De acordo com Kátia, os pais sempre devem falar dos perigos do envolvimento com qualquer tipo de droga. Mas mais essencial é observar a autoestima do filho. “O adolescente está buscando uma identidade e, nessa busca, ele vai encontrar pessoas que lhe atraem de alguma forma, com drogas ou não”. Portanto, ele precisa ter sempre o suporte da família para estar seguro de si.

O que você bebeu na festa?

            
De acordo com pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), três em cada dez adolescentes consumiram álcool pela primeira vez dentro de casa. De acordo com Caio Feijó, pais devem também dar a devida importância para o contato dos filhos com as bebidas. Mariângela encontrou uma abordagem efetiva com o filho João: “Eu falo sobre o que a mulher pode achar de homens que bebem e, quando eu o busco nas festinhas, ele conta que os meninos que beberam não se deram bem com as meninas”.

Chega de computador por hoje

A chamada “Geração Z” costuma ter muito mais intimidade com internet, redes sociais e celulares do que os pais. Sobra aos pais duas atitudes: além de se atualizarem sobre o tema, para entender o filho, eles devem impor limites. “Muitos adolescentes estudam de manhã e não aproveitam o tempo durante a tarde, pois passam horas na frente do computador”, exemplifica Kátia.

Mas nada em exagero faz bem para a saúde e o computador também entra nesse time. “O adolescente terá um preço a pagar se ficar abusando do tempo na internet, por exemplo”, diz o hebiatra Mauricio. Problemas na coluna ou péssimas notas na escola por passar a madrugada mandando mensagens de texto pelo celular para a namorada são algumas das consequências. “Vale estipular quanto tempo seu filho pode passar no computador ou bloquear a possibilidade dele passar a tarde toda em jogos virtuais”, completa.

Como foi a escola?

O segredo é encontrar uma forma de estar presente nesta área da vida do filho, sem invadi-lo. “O principal a fazer é acompanhar o dia a dia deles”, diz Mauricio. Isso inclui acompanhar as atividades escolares e o comportamento dos filhos dentro da escola. “Hoje pai e mãe trabalham fora e, quando chegam em casa tarde da noite, não querem dar bronca no filho por nada que ele tenha feito. Mas desta forma ele fica perdido e quando chega o fim do ano, ele tem um monte de recuperações”, afirma o médico.

A maior preocupação da gerente de contas Isabela Kauffmann, de 42 anos, são os estudos do filho Lucas, de 17. Ele sempre foi um jovem muito sociável e tranquilo, mas repetiu o 2º colegial no ano passado. A maior dificuldade da mãe atualmente é fazê-lo entender o tempo que ele está perdendo por não se comprometer o bastante com os estudos. “Escuto dos professores que ele simplesmente não presta atenção”, diz a mãe.

Segundo ela, colocar o adolescente de castigo hoje em dia não adianta. Por isso, ela prefere fazer o filho entender, na pele, as consequências dos seus atos. “Eu ia dar uma viagem de intercâmbio para ele se passasse de ano. Não passou, então ficou sem”, explica ela.


O que você quer ser quando crescer?


 Enquanto o filho ainda está decidindo para o que vai prestar, os pais devem manter uma certa distância. “Senão, eles podem influenciar o filho a fazer uma escolha errada”, diz Mauricio. Para Katia, existem vários fatores que podem influenciar e até motivar um adolescente – como seguir realmente a profissão do pai –, mas por ele ainda estar em busca de uma identidade, os pais devem dar chances para que ele se encontre: “Ele pode ficar muito perdido, então os pais podem dar direcionamentos com base nas matérias escolares que ele mais gosta, por exemplo, mas nunca pressioná-los”.

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/os+desafios+da+adolescencia/n1596975899389.html

Bater para educar torna crianças problemáticas, afirma estudo

Pesquisadores canadenses reuniram pesquisas de 20 anos e concluíram que a palmada aumenta a agressividade infantil


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Palmadas: comportamento agressivo dos pais estimula a
agressividade da criança
 
 
Adicionando mais combustível ao polêmico tema de bater em crianças, dois especialistas canadenses em desenvolvimento infantil publicaram uma nova análise. Segundo eles, o castigo físico implica em riscos graves para o desenvolvimento da criança a longo prazo.             
           
No estudo, publicado online anteontem no Canadian Medical Association Journal, os autores analisaram duas décadas de pesquisa e concluíram, "praticamente sem exceção, que esses estudos demonstraram que a punição física foi associada com maiores níveis de agressão contra os pais, irmãos, colegas e cônjuges".

Enquanto estudos mostram que o uso da palmada tem diminuído nos Estados Unidos desde os anos 1970, muitos pais ainda acreditam que a violência é uma forma aceitável de punição. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte realizado em 2010 revelou que quase 80% das crianças em idade pré-escolar nos Estados Unidos apanham dos pais.      

"Nosso estudo deve ser usado na orientação aos pais dada por médicos e profissionais sobre o tema", disse o coautor Joan Durrant, psicólogo infantil clínico e professor de Ciências Sociais da família da Universidade de Manitoba, em Winnipeg.

Além de substancial evidência de que as crianças que apanham se tornam mais agressivas, os autores observam que o castigo físico está associado a diversos problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, drogas, depressão e abuso de álcool. Além disso, estudos recentes mostraram que o castigo físico pode alterar partes do cérebro ligadas ao desempenho em testes de QI e aumentar a vulnerabilidade à dependência de drogas ou álcool, segundo os autores.
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Além de aumentar a agressividade, palmadas
estão relacionadas a ansiedade e depressão
 
Muitos pais são céticos quanto aos resultados de pesquisas sobre palmada. Para eles, o uso das palmadas é consequência do comportamento agressivo, e não o contrário. Mas o coautor do estudo diz que os pesquisadores foram capazes de separar as causas.

"Crianças mais agressivas tendem a apanhar mais, mas a punição não reduz a agressividade dessas crianças, e sim a agrava", disse Ron Ensom, que trabalhou como assistente social no Hospital Infantil de Ontário, em Ottawa.

"Quando os pais de crianças agressivas aprendem a reduzir o uso da palmada, e realmente o reduzem, o nível de agressividade de seus filhos cai", disse Ensom. "Ao acompanhar crianças com o mesmo nível de agressividade por anos, o estudo observou que aqueles que apanham tendem a ficar mais agressivos ao longo do tempo".

Os autores instaram os médicos a ajudar os pais a aprender métodos não-violentos e eficazes para a disciplina, mas uma psicóloga infantil norte-americana avaliou que faltou ao estudo fornecer exemplos destes métodos.

"Eles fizeram um bom trabalho em analisar toda a investigação, e é sempre bom reforçar a mensagem, especialmente para os médicos mais novos", disse Mary Alvord, psicóloga infantil com consultório particular em Maryland, nos EUA. "Só faltou dar o próximo passo e informar aos médicos métodos para mostrar aos pais o que fazer, em vez de focar tanto no que eles não devem fazer".

"Os pais muitas vezes se sentem impotentes nestas situações. Eles querem que a criança entenda que fez algo errado", disse Alvord. "Então eu não repreendo estes pais, mas tento explicar que há formas mais eficazes de educar".        

FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/2012-02-08/bater-para-educar-torna-criancas-problematicas-afirma-estudo.html